A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma mudança significativa em sua política de elegibilidade, determinando que apenas atletas do sexo biológico feminino poderão disputar competições femininas organizadas pela entidade. A decisão, comunicada na sexta-feira (14), impacta diretamente a oposta Tifanny, primeira atleta trans a atuar na Superliga, que integra o elenco do Osasco São Cristóvão Saúde desde 2021.
Em resposta à medida, o Osasco manifestou surpresa e descontentamento. Em nota oficial, o clube declarou que a decisão foi tomada sem qualquer consulta prévia ou participação das agremiações esportivas. A diretoria do clube informou que o departamento jurídico está analisando a normativa para definir os próximos passos, reforçando o apoio integral à atleta. A Federação Paulista de Volleyball (FPV) também se pronunciou, indicando que, como o Campeonato Paulista já estava em curso, medidas específicas serão avaliadas para competições futuras.
Apesar da nova diretriz da CBV, Tifanny segue liberada para atuar no Campeonato Paulista. A estreia da equipe do Osasco na competição ocorre neste sábado (15), contra o Pinheiros, no Ginásio José Liberatti. A CBV justificou a mudança alegando a necessidade de alinhar suas regras aos critérios do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), exigindo, entre outros pontos, a apresentação de resultado negativo para o gene SRY.
A nova política substituirá a norma anterior, que permitia a participação de mulheres trans desde que mantivessem os níveis de testosterona sérica abaixo de um limite estabelecido. A regra atual passará a valer integralmente nas próximas edições da Superliga, Supercopa, Copa Brasil e no Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027. Vale lembrar que, em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar que garantiu a participação de Tifanny na Copa Brasil, após um impasse jurídico envolvendo a cidade de Londrina.







