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Mobilidade do DF: PDTU e PMUS preveem BRTs, VLTs e 847 km de ciclovias

O futuro da mobilidade no DF está sendo desenhado. Conheça as propostas do PDTU e PMUS, que incluem BRTs, VLTs, expansão do metrô e mais de 1.000 km de vias para ciclistas.
Mobilidade do DF: PDTU e PMUS preveem BRTs, VLTs e 847 km de ciclovias

A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) deu um passo crucial no planejamento do futuro da capital ao realizar a terceira audiência pública para debater a atualização do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS). O evento, realizado na Câmara Legislativa (CLDF), reuniu usuários do transporte coletivo e representantes de entidades civis para aprimorar as propostas que prometem transformar a maneira como os brasilienses se deslocam.

O titular da Semob, Zeno Gonçalves, destacou a importância da participação popular no processo. “O debate com a população é fundamental para aprimorar o projeto, e essa prática tem sido constante. Já realizamos três audiências públicas, oficinas em todas as regiões administrativas e reuniões temáticas online”, afirmou Gonçalves. A transparência e o engajamento resultaram em um volume impressionante: o PDTU e o PMUS já receberam mais de quatro mil contribuições da população. Os dois documentos serão unificados em um único projeto de lei, que deve ser debatido na CLDF ainda neste ano.

Foco na Mobilidade Ativa: Ruas Completas e Ciclovias

As propostas do PMUS demonstram um avanço significativo no incentivo aos modos ativos, ou seja, deslocamentos realizados sem o uso de veículos automotores. O estudo técnico detalha 13 ações prioritárias, incluindo a implantação de rotas acessíveis para garantir a circulação segura e confortável de pedestres e ciclistas em todo o DF.

A infraestrutura cicloviária planejada é ambiciosa: o projeto inclui a criação de 847 km de ciclovias, 175 km de ciclofaixas e 28 km de ciclorrotas. Além disso, o plano prevê condições para a micromobilidade elétrica, travessias subterrâneas e a instalação de paraciclos em pontos estratégicos, como estações de metrô, BRT, terminais de ônibus e pontos de parada.

Outro conceito central do PMUS é a implantação das “Ruas Completas”. Segundo a engenheira do Labtrans, Fernanda Malon, essas vias são projetadas para ter espaço específico para todos os tipos de usuários, priorizando modos ativos e coletivos. “Nessas vias, a velocidade máxima para veículos é de 50 km/h, com vias segregadas para transporte coletivo, ciclovias e calçadas seguras”, explicou Malon. As Ruas Completas se integrarão com as rotas acessíveis e as “Zonas 30”, que limitam a velocidade a 30 km/h em áreas residenciais ou próximas a escolas e hospitais. Um dos locais previstos para receber essa transformação é a Avenida Hélio Prates, em Ceilândia, que também deve ganhar um VLT e travessias elevadas para pedestres.

Obras Estruturais: BRTs, VLTs e Expansão Ferroviária

O PDTU, focado no sistema de transporte de massa, apresenta cinco cenários de obras. O cenário mais robusto prevê investimentos de grande porte que redefinirão a malha viária do Distrito Federal. Entre as principais ações estão a construção do BRT Norte, BRT Leste, o Anel BRT do Plano Piloto e o BRT Sudoeste. O plano também contempla a ampliação do metrô, a implantação de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) em Ceilândia e Taguatinga, e o desenvolvimento de trens regionais para atender o Entorno.

Em termos de infraestrutura, as propostas totalizam 307,5 km de novas vias, sendo 181,4 km dedicados ao transporte rodoviário e 126,1 km destinados ao modal ferroviário. O projeto inclui ainda a construção de uma nova Ponte sobre o Lago Paranoá e um novo acesso para São Sebastião.

Transformando Planos em Realidade

Embora o trabalho técnico de elaboração do PDTU e PMUS esteja avançado, especialistas alertam para a necessidade de garantir o apoio institucional e social para a execução das obras. Wesley Ferro, secretário-executivo do Instituto Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT), enfatizou que o projeto precisa ir além das “boas intenções”.

“É preciso criar um ambiente favorável para que o projeto se transforme em realidade. Se a sociedade não apoiar essas transformações, continuaremos tendo apenas um plano no papel”, alertou Ferro. Ele destacou a importância de convencer não apenas o Legislativo, que avaliará a minuta do projeto de lei, mas também o Judiciário e a imprensa, setores estratégicos cuja compreensão e apoio são cruciais para evitar paralisações e garantir a implementação efetiva dos corredores de transporte e das novas infraestruturas de mobilidade.