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Mercúrio ameaça gestantes e bebês do povo Munduruku na Amazônia

Estudo da Fiocruz alerta para a grave contaminação por mercúrio em gestantes e bebês Munduruku, com riscos irreversíveis à saúde.
Mercúrio ameaça gestantes e bebês do povo Munduruku na Amazônia

Um estudo preliminar realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) revelou dados alarmantes sobre a saúde do povo Munduruku, no Pará. Mulheres gestantes da Terra Indígena, localizada na região do Médio Tapajós, apresentam níveis de mercúrio no organismo que chegam a ser quatro vezes e meia superiores ao limite de segurança estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Impacto devastador no desenvolvimento dos bebês

A pesquisa aponta que a contaminação é transmitida diretamente da mãe para o feto através da placenta. Cerca de 90% dos recém-nascidos avaliados já nascem com o metal pesado no organismo. O monitoramento dessas crianças revela atrasos preocupantes no desenvolvimento neuropsicomotor, uma vez que o mercúrio atua como uma neurotoxina potente, gerando lesões irreversíveis no sistema nervoso central.

Ausência de dados oficiais e subnotificação

Especialistas alertam para a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para o monitoramento sistemático dessa população. Atualmente, o sistema de saúde brasileiro carece de uma ficha de notificação específica para contaminação por mercúrio, o que dificulta a criação de estatísticas oficiais robustas e o combate efetivo aos impactos do garimpo ilegal na região amazônica.