Os juros elevados consolidaram-se como o maior obstáculo para o acesso ao crédito na indústria brasileira. De acordo com um levantamento recente, 76% das empresas que enfrentaram dificuldades para obter financiamentos de curto ou médio prazo apontaram as taxas de juros como o principal entrave. No segmento de longo prazo, com vencimentos superiores a cinco anos, o cenário é similar, com 69% dos empresários citando o custo do dinheiro como a barreira central.
Impacto nas operações industriais
A pesquisa ouviu 1.701 empresas de diferentes portes entre agosto e julho, abrangendo pequenas, médias e grandes indústrias. Embora os juros ainda liderem o ranking de dificuldades, houve uma leve melhora em relação ao ano anterior, quando o percentual de empresas afetadas era ainda maior. Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria, observa que a queda dos juros demora a ser sentida na ponta final, mantendo o custo do crédito em patamares restritivos para o setor produtivo.
Além dos juros, outros fatores complicam a obtenção de recursos. As exigências de garantias reais foram mencionadas por cerca de 33% das empresas em operações de curto e médio prazo. No longo prazo, a carência insuficiente aparece como a segunda maior dificuldade, afetando 18,9% dos negócios. A burocracia também figura como um ponto de atenção para os gestores industriais.
Uso do crédito e frustração
O levantamento destaca um movimento preocupante: a utilização de linhas de longo prazo para cobrir despesas cotidianas. Cerca de 28,7% das empresas que contrataram esse tipo de crédito destinaram o recurso ao capital de giro, superando investimentos em máquinas e equipamentos, que ficaram em 23,6%. Historicamente, o crédito de longo prazo deveria ser voltado para expansão e infraestrutura, mas a necessidade de fluxo de caixa força o setor a buscar alternativas mais caras.
A taxa de frustração na tentativa de crédito aumentou, com pequenas empresas sendo as mais prejudicadas. No longo prazo, quase metade das pequenas e médias indústrias não obteve o financiamento solicitado. Para os empresários, a redução de custos tributários e administrativos seria a medida mais eficaz para destravar o acesso ao crédito e permitir que a indústria retome investimentos de forma sustentável.







