O programa Caminhos da Reportagem desta segunda-feira (31) traz uma investigação profunda sobre a construção da identidade parda no Brasil. Sob o título “A Cor do Meio”, a atração explora como essa categoria, que reúne uma vasta diversidade de tons, povos e culturas, ocupa os espaços na sociedade contemporânea. Com base no Censo de 2022, mais de 90 milhões de brasileiros se autodeclararam pardos, representando quase metade da população nacional.
Perspectivas históricas e políticas
Especialistas e acadêmicos ouvidos pela reportagem apontam que a identidade parda é cercada de complexidades. Para Gersem Baniwa, professor da Universidade de Brasília, na Região Norte, a identificação como pardo muitas vezes serviu como estratégia de sobrevivência para grupos indígenas diante de opressões históricas. Já o líder indígena Ailton Krenak define a classificação como um “truque colonial”, argumentando que a fragmentação em categorias como pardo, preto e mulato é uma disputa política que, historicamente, dificultou a reivindicação de territórios pelos povos originários.
Desafios e desigualdades
A reportagem também aborda os obstáculos enfrentados no ambiente educacional e profissional. Estatísticas mostram que pretos e pardos compõem a maioria dos brasileiros que abandonam os estudos antes do ensino superior. A assistente social Luiza Carvalho compartilha sua trajetória acadêmica, marcada por preconceitos enraizados e a dificuldade de ser a única pessoa negra em seleções de doutorado, destacando que as políticas de cotas são fundamentais, mas ainda insuficientes para eliminar todas as barreiras estruturais.
O papel das políticas inclusivas
Helio Santos, presidente do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais, reforça a necessidade de políticas inclusivas que considerem a elasticidade da categoria parda. Segundo ele, a dúvida na autoidentificação deve ser interpretada como um chamado à inclusão, dado que a desigualdade racial no Brasil impacta severamente tanto pretos quanto pardos. O programa busca, assim, dar visibilidade a essas vozes e promover uma reflexão sobre a importância da identidade na luta por direitos e reconhecimento social.







