Com a chegada da temporada de maior incidência de vírus respiratórios, a demanda por atendimento pediátrico de emergência dispara, elevando o número de crianças com quadros clínicos que exigem intervenção imediata. Diante deste cenário crítico, a equipe de pediatria do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), unidade gerida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), realizou uma intensa jornada de capacitação técnica.
O evento, ocorrido na última quinta-feira (22) no Centro de Simulação Realística da unidade, reuniu médicos pediatras, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O objetivo central foi o fortalecimento da assistência prestada à população infantil, com foco em dois procedimentos cruciais para a sobrevivência e segurança dos pacientes: a intubação orotraqueal, essencial para garantir a ventilação em situações de falência respiratória, e o manejo eficaz da parada cardiorrespiratória (PCR).
Fernando Martins, chefe do Serviço de Pediatria, enfatizou que a iniciativa reflete o compromisso inegociável do hospital com a qualificação contínua. “Nossos profissionais são experientes e dedicados, mas a medicina evolui constantemente. Precisamos reciclar conhecimentos e integrar as diretrizes mais recentes para assegurar uma assistência organizada e segura, beneficiando tanto a equipe quanto os pequenos pacientes”, destacou Martins.
Preparação Estratégica para a Sazonalidade Respiratória
O primeiro módulo do treinamento, conduzido pela pediatra Thais Mendonça, concentrou-se na técnica de intubação orotraqueal. A especialista sublinhou a urgência da capacitação, dada a natureza de alta complexidade do pronto-socorro pediátrico do HRSM e a sazonalidade das doenças respiratórias, que tipicamente se estende de março a agosto.
“Nesta época do ano, observamos um aumento significativo de crianças com quadros graves que podem evoluir rapidamente para a necessidade de ventilação invasiva e intubação. É vital que o pediatra esteja plenamente preparado para gerenciar essas emergências, especialmente em bebês menores de um ano, que representam o grupo mais vulnerável a complicações”, explicou a Dra. Mendonça.
Em seguida, a pediatra Maurisa Rosa abordou o tema da parada cardiorrespiratória (PCR), ressaltando a importância crítica do tempo de resposta. Segundo a Dra. Rosa, a agilidade é um fator determinante para o prognóstico. “Quanto mais tempo a criança permanece em parada, maior é o risco de hipóxia cerebral, uma condição caracterizada pela drástica redução do oxigênio fornecido ao cérebro, e de complicações neurológicas graves. Quando conseguimos reverter o quadro rapidamente e restabelecer a circulação, reduzimos a mortalidade e melhoramos drasticamente o prognóstico”, afirmou.
Após as sessões teóricas, os participantes se engajaram na etapa prática, realizando simulações de situações reais vivenciadas diariamente no pronto-socorro pediátrico. A pediatra Blenda Cunha acompanhou o treinamento e reforçou a relevância da metodologia.
“O que simulamos aqui espelha exatamente o nosso cotidiano. Atendemos um volume alto de crianças graves, provenientes tanto de Brasília quanto do Entorno Sul. Casos de PCR e necessidade de intubação são frequentes, e a demanda aumenta exponencialmente no período sazonal. Este curso está excelente e perfeitamente alinhado com a realidade do nosso serviço”, avaliou a Dra. Cunha.
Alta Demanda e Orientações de Prevenção
A necessidade de manter as equipes em estado de prontidão é confirmada pelo volume assistencial da unidade. Durante o primeiro semestre de 2025, o HRSM registrou 12.888 procedimentos de emergência pediátrica, um dado que evidencia a alta demanda e a importância de um preparo permanente, especialmente nos meses de maior circulação viral.
A pediatra Thais Mendonça reforçou que a atenção das famílias deve ser redobrada para evitar complicações graves, já que os quadros virais podem progredir rapidamente. “Agir no tempo certo impacta diretamente na recuperação do paciente. A orientação fundamental para as famílias é evitar o contato com pessoas doentes, intensificar a higiene das mãos e dedicar atenção especial aos recém-nascidos, que ainda não completaram o esquema vacinal essencial”, concluiu.
Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).



