O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) tornou-se a primeira unidade de saúde 100% SUS a realizar um procedimento minimamente invasivo para tratar arritmias cardíacas. A técnica, chamada ablação com aplicação de pulso de elétrons (PFA), não exige centro cirúrgico, anestesia geral ou internação prolongada. Essa inovação representa um avanço significativo no atendimento público, oferecendo mais segurança e eficiência no tratamento da doença.
Avanço no tratamento das arritmias
A fibrilação atrial é uma das arritmias cardíacas mais comuns e afeta principalmente pessoas com hipertensão, diabetes e doenças cardíacas pré-existentes. Segundo o cardiologista Henrique Cesar de Almeida, do HBDF, cerca de 10% da população acima de 80 anos sofre com a condição, que está diretamente ligada ao risco de derrames e insuficiência cardíaca.
Com a nova técnica, os médicos utilizam pulsos de elétrons para tratar a região do coração responsável pela arritmia. Diferente dos métodos tradicionais, a PFA reduz os riscos de complicações e melhora a recuperação dos pacientes.
Redução do tempo de procedimento e internação
A eletrofisiologista Carla Septimio Margalho, supervisora do Programa de Residência em Eletrofisiologia Clínica e Invasiva do HBDF, destaca que a inovação trouxe benefícios importantes. “Antes, o procedimento durava de oito a dez horas e exigia internação em UTI. Agora, conseguimos realizar a intervenção em apenas 55 minutos, com alta hospitalar em poucos dias”, explica.
Além da rapidez, a técnica pode ser feita fora do centro cirúrgico, dentro do setor de hemodinâmica do hospital. Isso permite mais agilidade no atendimento e reduz os custos operacionais, beneficiando tanto os pacientes quanto o sistema de saúde.
Primeiros procedimentos bem-sucedidos
Dois pacientes, um homem e uma mulher, foram os primeiros a passar pelo procedimento no Hospital de Base. Ambos sofriam de hipertensão e um deles já havia sofrido um infarto. Segundo a equipe médica, as intervenções foram concluídas com sucesso e sem intercorrências.
“O tempo de procedimento foi muito menor em comparação com as técnicas anteriores. Isso é um avanço tanto para os pacientes quanto para o hospital”, afirma Carla Margalho.
Perspectivas para o futuro
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela administração do HBDF, estuda a aquisição de insumos para oferecer a tecnologia de forma permanente na unidade. A expectativa é que mais pacientes possam se beneficiar da inovação nos próximos meses.
“A adoção desse procedimento no SUS é um grande passo para a saúde pública. Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas que sofrem com arritmias cardíacas”, conclui Carla Margalho.