Pâmela Kauane, 19 anos, enfrentava crises alérgicas tão intensas que roubavam seu sono e comprometiam sua rotina. “Minha alergia atacava muito, com coceiras e placas vermelhas pelo corpo. Tinha dias em que eu não conseguia dormir de tanto que coçava”, relata a estudante. Para Pâmela, bastava “um vento para tudo piorar”. Este cenário de sofrimento crônico começou a mudar radicalmente quando ela iniciou o tratamento de imunoterapia no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).
A “vacina”, como é popularmente conhecida, não apenas controlou as crises, mas também permitiu que Pâmela reduzisse drasticamente a quantidade de medicamentos que precisava ingerir. “Minha alergia era tão forte que chegava a obstruir meu nariz, dificultando a respiração. Hoje, além do controle das crises, sinto uma melhora significativa no meu bem-estar”, afirma a jovem, que agora respira aliviada.
Pâmela é uma das aproximadamente mil pessoas que recebem mensalmente este tratamento especializado no HBDF. O Hospital de Base se estabeleceu como um polo de referência no Distrito Federal para a imunoterapia, um método crucial indicado principalmente para pacientes com quadros alérgicos graves. O tratamento é voltado especialmente para aqueles casos causados por ácaros e que não respondem satisfatoriamente ao uso contínuo de remédios convencionais.
Como a Imunoterapia Transforma a Resposta Imunológica
A imunoterapia funciona através de um processo de dessensibilização. O objetivo central é “reeducar” o sistema imunológico do paciente. Ao administrar doses controladas e progressivas dos agentes alergênicos (como o ácaro), o organismo desenvolve gradualmente a tolerância. Este mecanismo permite que o corpo lide melhor com o contato diário com esses agentes, resultando na redução significativa de sintomas debilitantes, como crises severas de rinite e dermatites.
O serviço de imunoterapia no HBDF atende pacientes com idades entre 4 e 60 anos. O acesso é facilitado: qualquer alergista da rede pública de saúde pode realizar o encaminhamento para o atendimento no Hospital de Base. Uma das grandes vantagens do programa é a eficiência logística: assim que o paciente é admitido na unidade, o tratamento pode ser iniciado imediatamente, pois, atualmente, não existe fila de espera para a aplicação das vacinas.
Protocolo e Expectativas de Longo Prazo
Embora os resultados variem conforme a individualidade biológica de cada paciente, a maioria das pessoas submetidas ao tratamento apresenta uma melhora clínica relevante e perceptível. O protocolo de imunoterapia é dividido em fases. A fase inicial, ou de indução, exige aplicações semanais durante cerca de três meses.
Após este período intensivo, as doses se tornam mensais. A duração total do tratamento é prolongada, podendo variar de três a cinco anos. Especialistas enfatizam que este tempo prolongado é crucial para garantir que o organismo estabeleça uma tolerância robusta e duradoura.
O médico responsável explica que, quando o tratamento é encerrado, a expectativa é que, mesmo sem a vacina, o contato com o ácaro cause impactos muito menores na saúde respiratória do paciente. O sucesso do programa reforça o papel do HBDF, sob gestão do IgesDF, como uma referência vital na melhoria da qualidade de vida dos moradores do Distrito Federal que sofrem com alergias crônicas.



