Edição Brasília

HCB integra rede nacional para fortalecer a proteção de dados no SUS

O Hospital da Criança de Brasília (HCB) integra a nova Rede de Encarregados de Dados do SUS para fortalecer a LGPD e a segurança de dados sensíveis na saúde.
HCB integra rede nacional para fortalecer a proteção de dados no SUS

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) consolidou sua posição como referência na gestão de informações sensíveis ao integrar o lançamento oficial da Rede de Encarregados de Dados do SUS. O evento, ocorrido durante a 3ª Jornada de Proteção de Dados Pessoais no SUS, contou com a participação estratégica da gerente de Compliance e Riscos do HCB, Cinthia Tufaile, que apresentou as práticas de excelência adotadas pela instituição brasiliense.

Desde a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em 2020, o HCB direciona esforços para que a conformidade legal transcenda a burocracia. Para a instituição, a segurança da informação é um componente intrínseco ao cuidado assistencial. Tufaile destaca que o lema do hospital, “A criança merece o melhor”, estende-se diretamente à custódia rigorosa das informações clínicas e pessoais dos pacientes, garantindo que a privacidade seja tratada como um direito fundamental do cidadão atendido.

Desafios da Proteção de Dados na Pediatria

A gestão de dados em uma unidade pediátrica de alta complexidade como o HCB apresenta desafios singulares. Devido ao perfil dos pacientes, que frequentemente iniciam tratamentos na primeira infância e permanecem sob os cuidados da unidade até a maioridade, o volume de dados acumulados é vasto e sensível. Além das crianças, o ecossistema de dados envolve familiares, pesquisadores, residentes e um corpo técnico multidisciplinar, exigindo uma governança robusta para evitar vazamentos ou acessos indevidos.

Para enfrentar essa complexidade, o HCB investe continuamente na criação de uma cultura institucional de proteção. Cinthia Tufaile enfatiza que o desenvolvimento dessa mentalidade exige campanhas informativas constantes e, sobretudo, o engajamento da alta liderança. Sem o apoio dos gestores de topo, as políticas de privacidade correm o risco de permanecerem apenas no papel, sem aplicação prática no cotidiano hospitalar. Esse posicionamento foi corroborado por Adriana Macedo Marques, encarregada de Dados do Ministério da Saúde, que reforçou a importância do suporte administrativo para a estruturação de recursos e processos.

Colaboração em Rede e o Futuro da Saúde Digital

A criação da Rede de Encarregados de Dados do SUS surge como uma resposta à necessidade de articulação entre diferentes esferas da saúde pública. A rede conecta hospitais, agências reguladoras como a Anvisa, fundações como a Fiocruz, além de representantes municipais e estaduais. O objetivo central é compartilhar experiências e solucionar problemas comuns, que variam desde a falta de conectividade básica em regiões remotas até o uso ético de Inteligência Artificial na medicina diagnóstica.

A troca de experiências entre instituições como o HCB e a Anvisa demonstra que, embora as realidades sejam distintas, os desafios de conscientização são similares. Reinaldo Neli, encarregado de dados da Anvisa, relatou que o investimento em comunicação direta com os funcionários aumentou a proatividade das equipes em reportar incidentes. Essa sinergia é o que a nova rede busca potencializar, permitindo que instituições com diferentes níveis de maturidade digital aprendam umas com as outras.

Ao final do encontro, representantes de diversas regiões, como Gustavo Godoy, de Recife, e Laiza Assunção, da Fiocruz, destacaram que o trabalho em rede traz confiança e permite a construção de propostas efetivas para o Ministério da Saúde. O HCB, ao compartilhar seu modelo de compliance, reafirma seu papel não apenas na assistência médica, mas na vanguarda da governança de dados em saúde no Brasil.