O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, classificou como “indevida” a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada na quinta-feira (23), justifica-se pelo suposto uso de trabalho forçado na cadeia produtiva nacional, argumento que o governo brasileiro refuta categoricamente. O ministro afirmou que o Brasil buscará reverter a decisão por meio de negociações, sem descartar medidas de reciprocidade.
Impacto na indústria
A nova alíquota, que entra em vigor nesta sexta-feira (24), soma-se a uma tarifa de 25% já vigente, podendo elevar a taxação para 37,5% em diversos setores. Entre os itens afetados estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos não farmacêuticos. Por outro lado, produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem isentos de ambas as tarifas.
Defesa do Brasil e reciprocidade
Em entrevista coletiva, Márcio Elias Rosa enfatizou o compromisso histórico do Brasil com o combate ao trabalho escravo e o respeito aos direitos humanos. “O Brasil é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Não abona nem apoia essa prática”, declarou o ministro. Ele reforçou que o país não abrirá mão dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.
“O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil”, afirmou. O MDIC segue realizando um levantamento detalhado para identificar todos os produtos atingidos pela dupla tributação. Enquanto isso, o governo mantém o diálogo com Washington como prioridade, mas deixa claro que a resposta comercial é uma possibilidade real caso as negociações não avancem conforme o esperado.



