Edição Brasília

Fita Antimicrobiana de Cobre é Validada em Hospitais e Reduz Contaminação em 19 Semanas

Estudo brasileiro com apoio da FAPDF comprova a eficácia de uma fita de cobre-polímero contra microrganismos em superfícies hospitalares. Solução simples e contínua.
Fita Antimicrobiana de Cobre é Validada em Hospitais e Reduz Contaminação em 19 Semanas

A ciência brasileira acaba de alcançar um marco internacional crucial no combate à contaminação hospitalar. Uma pesquisa inovadora, apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), comprovou em condições clínicas reais a alta eficácia de uma fita antimicrobiana à base de cobre. Esta solução tecnológica simples, mas poderosa, promete revolucionar o controle de infecções em superfícies de alto toque.

Os resultados robustos do estudo foram publicados em dezembro de 2025 no prestigiado periódico científico internacional Antibiotics, uma referência global em controle de infecções e resistência microbiana. O trabalho, intitulado “Atividade antimicrobiana e caracterização de uma fita polimérica complexada com cobre validada para aplicações em desinfecção de superfícies”, foi coordenado pela Dra. Andreanne Vasconcelos.

Andreanne Vasconcelos, biomédica e doutora em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB), é também pesquisadora da University of Lincoln, no Reino Unido, e CEO da People&Science Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Sua trajetória acadêmica é dedicada à busca por substâncias bioativas e ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas à saúde. O apoio da FAPDF, concedido via editais Demanda Espontânea e FAPDF Participa, foi fundamental, garantindo o rigor científico necessário para a validação em laboratório e, crucialmente, em um ambiente hospitalar real, além de impulsionar a colaboração internacional.

A pesquisa monitorou a atuação contínua da tecnologia em superfícies críticas de um hospital universitário brasileiro, incluindo torneiras, corrimãos, maçanetas e braços de cadeiras. Ao longo de 19 semanas de uso, o estudo demonstrou uma redução significativa e sustentada da carga microbiana, validando a capacidade da fita de manter a desinfecção passiva.

A Tecnologia de Autodesinfecção e o Impacto no SUS

Apesar de sua aparência discreta, a fita antimicrobiana de cobre representa uma solução sofisticada para um dos maiores desafios da saúde pública: o controle da contaminação em superfícies de alto toque. A tecnologia consiste em um revestimento adesivo flexível onde o cobre — um metal naturalmente antimicrobiano — está incorporado a uma matriz polimérica. Essa base flexível permite que a fita seja aplicada facilmente em superfícies já existentes, eliminando a necessidade de reformas estruturais complexas.

A principal vantagem, conforme explica a Dra. Andreanne Vasconcelos, reside na sua atuação contínua e passiva. “Diferentemente dos métodos tradicionais, que exigem limpezas frequentes e dependem da ação humana, a fita trabalha 24 horas por dia, eliminando microrganismos sempre que eles entram em contato com a superfície”, afirma a pesquisadora. Na prática, a superfície revestida passa a se “autodesinfectar” permanentemente, inibindo a multiplicação de bactérias e fungos, um fator vital em ambientes de alto risco como hospitais.

Com a validação em mãos, a equipe de pesquisa já planeja os próximos passos. Eles incluem a ampliação dos estudos para outros ambientes de grande circulação, como transporte público e escolas, e, mais importante, a busca pelo registro da tecnologia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo final é ambicioso: trabalhar em articulação com o poder público para viabilizar a incorporação desta solução inovadora no Sistema Único de Saúde (SUS).

Reconhecimento Internacional e Investimento em Ciência

O estudo se destacou não apenas pelos resultados, mas também pelo seu caráter global. A colaboração entre instituições do Brasil e do Reino Unido permitiu o acesso a metodologias avançadas e a troca de conhecimentos técnicos. Além disso, a pesquisa avaliou em território brasileiro uma tecnologia desenvolvida originalmente na França, conferindo robustez aos dados em diferentes contextos geográficos e climáticos. Essa etapa de validação em ambiente hospitalar real foi fundamental, especialmente em regiões tropicais, onde fatores ambientais influenciam diretamente o desempenho dos materiais.

O presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, enfatizou que o reconhecimento internacional da pesquisa demonstra o retorno concreto do investimento público em ciência. “Este estudo mostra a capacidade dos nossos pesquisadores de atuar em redes internacionais, produzir conhecimento de alto nível e transformar ciência em soluções aplicáveis, especialmente em áreas sensíveis como a saúde pública. A FAPDF tem o compromisso de fortalecer esse ecossistema”, declarou Reisman.

Para a Dra. Andreanne, o fomento foi crucial não apenas para o projeto em si, mas para sua carreira como jovem pesquisadora, fortalecendo sua formação e ampliando as oportunidades de colaboração. A validação desta fita antimicrobiana cobre não apenas combate infecções hoje, mas pavimenta o caminho para um futuro onde superfícies críticas se tornam barreiras ativas contra a proliferação de doenças.