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Fiocruz inicia produção nacional inédita de remédio para AME

Fiocruz inicia no Brasil a produção inédita do medicamento Nusinersena, para Atrofia Muscular Espinhal (AME), em parceria para fortalecer a autonomia nacional e o acesso ao tratamento.
Nusinersena produção nacional
Foto: Rodrigo Méxas/Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu um passo significativo para a autonomia da saúde brasileira ao iniciar, de forma inédita no país, a produção do medicamento Nusinersena, utilizado no tratamento da Atrofia Muscular Espinhal 5q (AME). Esta iniciativa pioneira, formalizada através de uma parceria estratégica com as empresas Hypera Pharma e Aurisco Pharmaceutical, foi anunciada no contexto do Agosto Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a AME, visando fortalecer o acesso dos pacientes a essa terapia de alta complexidade.

Autonomia e Acesso na Saúde Pública

Esta colaboração se alinha perfeitamente com os objetivos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento da Saúde, uma diretriz fundamental do Ministério da Saúde. Conforme declara a Fiocruz, a meta principal é impulsionar a fabricação local de fármacos e biotecnológicos no Brasil. Além disso, busca-se diminuir a dependência externa por produtos essenciais e, consequentemente, ampliar o alcance de tratamentos avançados para toda a população brasileira. Dessa forma, a parceria não só promete benefícios econômicos, mas também fortalece a soberania sanitária nacional.

Embora o Nusinersena já fosse disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2019, esta nova fase de produção nacional representa um avanço substancial. Posteriormente, a parceria transcende a mera economia para os cofres públicos. Ela introduz uma plataforma tecnológica inovadora no país, um diferencial que habilita o Brasil a desenvolver capacidades internas para a produção de medicamentos complexos.

Uma Plataforma Pioneira no Brasil

A proposta desta colaboração, de acordo com a instituição, permitirá ao Brasil estabelecer uma plataforma nacional para a fabricação de oligonucleotídeos. Por conseguinte, essa tecnologia possui um vasto potencial, pois poderá ser adaptada para o desenvolvimento de tratamentos para diversas outras enfermidades, além da AME. Em suma, isso posiciona o país em um patamar de inovação biotecnológica antes inatingível.

Mario Moreira, presidente da Fiocruz, enfatizou a relevância dessa iniciativa, ressaltando que a transição demográfica atual demanda uma expansão contínua da carteira de produtos, direcionando-a, entre outros, para o tratamento da AME. Portanto, a incorporação do Nusinersena no ciclo produtivo nacional espelha diretamente essa estratégia. Ele ainda afirmou que a implementação desta plataforma, a primeira do tipo na América Latina, solidifica o papel da Fiocruz como um pilar científico, tecnológico e industrial do SUS, priorizando inovações que garantem o acesso da população a terapias de ponta.

Ademais, Rosane Cuber, diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz, salientou que este projeto demonstra o compromisso inabalável de sua unidade com a inovação, a sustentabilidade e a democratização do acesso a tratamentos de última geração. Em concordância, Marco Oliveira, representante da Aurisco no Brasil, descreveu a colaboração com a Hypera Pharma, Bio-Manguinhos/Fiocruz e o Ministério da Saúde como um “momento histórico” para sua empresa, empenhada em garantir um medicamento seguro, eficaz e acessível aos brasileiros.

A Tecnologia por Trás do Tratamento da AME

O Nusinersena atua como um oligonucleotídeo antisense (ASO), um tipo de medicamento que tem a função de modular a produção de uma proteína vital para a sobrevivência dos neurônios motores, que são justamente as células afetadas pela Atrofia Muscular Espinhal 5q (AME). Com esta parceria, Bio-Manguinhos/Fiocruz assumirá a produção integral deste produto em território nacional, desde as etapas iniciais até o produto final.

Todo o processo de internalização da tecnologia será conduzido em fases distintas, com um rigoroso monitoramento contínuo. Desde a submissão do projeto até a verificação completa da absorção tecnológica, cada etapa será acompanhada de perto. Desse modo, a Fiocruz assegura que, ao término de todo o processo, Bio-Manguinhos estará plenamente apto e com total domínio tecnológico para produzir o medicamento no Brasil.

Em síntese, a produção nacional do Nusinersena representa um marco para a saúde pública brasileira. Além de garantir a continuidade e a ampliação do acesso a um tratamento vital para pacientes com AME, a iniciativa consolida a capacidade do país de inovar e produzir tecnologias de alta complexidade. Assim, o Brasil avança na construção de um sistema de saúde mais autônomo, robusto e preparado para os desafios futuros.

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