A Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) de 2026 abriu suas portas com uma homenagem especial à antropóloga, historiadora e filósofa Lélia Gonzalez. Reconhecida como uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) e pioneira do feminismo negro no Brasil, Lélia é o nome central desta edição, que ocorre na Região Metropolitana do Rio de Janeiro entre os dias 13 e 16 de julho.
Conceitos e contribuições intelectuais
O legado de Lélia Gonzalez é vasto, destacando-se pela criação de conceitos fundamentais como “amefricanidade” e “pretuguês”. Essas ferramentas teóricas são essenciais para compreender as matrizes africanas e indígenas na formação da identidade brasileira e latino-americana. A programação do evento, intitulada “Territórios das Palavras”, busca explorar essas ideias através de debates sobre literatura, relações raciais, memória e educação.
Jackson Jacques, coordenador artístico da FLIN, ressalta a importância de trazer uma figura que dialoga com temas tão atuais. “Trazer territórios, negritude, pensamentos contemporâneos ainda muito pertinentes era muito importante para a gente e, a partir de Lélia, a gente chega na temática dos Territórios das Palavras para poder confluir as ideias”, explica.
Democratização do saber e diversidade
O projeto editorial municipal, Niterói Livros, reforça que a identidade e o pertencimento são pilares da festa. Jordão Pablo de Pão, diretor do projeto e curador do evento, destaca que a intenção é mostrar que a narrativa literária é plural. “A narrativa vem pela história que a avó conta no ouvido, pelo cordel publicado, vem pelo fanzine que a pessoa faz porque tem menos condição financeira e vem pelo grande livro no trabalho reconhecido”, pontua.
A expectativa dos organizadores é que a FLIN funcione como um espaço de encontro para diferentes vozes. A presença de familiares de Lélia, como sua neta Melina de Lima, enriquece a programação, que busca não apenas apresentar grandes nomes da literatura, mas fomentar a troca de experiências entre o público e os autores. A presidente da Fundação de Arte de Niterói, Micaela Costa, reforça que o objetivo é ampliar a visão dos participantes sobre o Brasil a partir de um ambiente de diversidade cultural e intelectual.







