Edição Brasília

Falta de política de Estado trava buscas por desaparecidos da ditadura

Especialistas da Unifesp apontam que a falta de um programa de Estado permanente impede o avanço na busca por desaparecidos da ditadura.
Falta de política de Estado trava buscas por desaparecidos da ditadura

Mais de seis décadas após o início do regime militar no Brasil, o país ainda enfrenta sérios obstáculos para localizar e identificar os corpos de opositores políticos desaparecidos. Segundo Edson Teles, coordenador do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Unifesp, o principal entrave é a falta de uma institucionalidade fixa que garanta a continuidade dos trabalhos forenses independentemente do governo de turno.

Desafios na Identificação de Ossadas

Atualmente, pesquisadores trabalham na análise de mais de mil caixas com restos mortais encontrados em valas clandestinas, como a do Cemitério Dom Bosco. Embora identificações recentes tenham ocorrido, o processo é frequentemente interrompido por cortes orçamentários e suspensão de acordos de cooperação, como ocorreu em gestões federais passadas, o que compromete a manutenção de materiais biológicos sensíveis.

A retomada de investimentos em 2024 trouxe novas esperanças para as famílias das vítimas. No entanto, a comunidade acadêmica defende que apenas uma política de Estado robusta poderá garantir que o direito à memória e à justiça seja plenamente exercido, permitindo que o Brasil encerre capítulos dolorosos de sua história recente com dignidade e rigor científico.