Uma pesquisa científica realizada pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias), da Universidade de São Paulo (USP), revelou um cenário alarmante: oito em cada dez mulheres muçulmanas no Brasil já foram vítimas de islamofobia. O estudo analisou relatos de 328 mulheres, abrangendo diferentes perfis, desde brasileiras nascidas em famílias islâmicas até convertidas.
Onde ocorre a discriminação
Os dados mostram que a intolerância religiosa se manifesta principalmente em locais de grande circulação e convívio diário. As ruas (36,4%), a internet (30,9%) e o ambiente de trabalho (19,7%) são os cenários mais frequentes de ataques, que incluem desde ofensas verbais até demissões motivadas por preconceito religioso.
Impactos e subnotificação
A discriminação tem gerado graves consequências psicológicas, como depressão e transtornos de ansiedade. Apesar da recorrência dos ataques, a taxa de denúncias é baixíssima, com apenas 6% das vítimas registrando boletins de ocorrência, refletindo a descrença na eficácia das investigações. A professora Francirosy Campos Barbosa, coordenadora do estudo, critica a falta de espaço e a visão estereotipada que a mídia e a sociedade impõem sobre as mulheres muçulmanas.



