Recorde histórico no câmbio
Nesta quinta-feira (28), o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 5,98, registrando alta de 1,30% e marcando a maior cotação nominal de fechamento da história. O mercado financeiro demonstrou incertezas em relação ao pacote fiscal anunciado pelo governo federal, refletindo o segundo dia consecutivo de pressão sobre o câmbio.
Desde o início de 2024, a moeda norte-americana acumula uma valorização de 23,49%. O Banco Central optou por não realizar intervenções no câmbio, como leilões extras de moeda, mesmo após o dólar superar a barreira de R$ 5,90 na véspera do anúncio oficial do pacote econômico.
Detalhes do pacote fiscal
O governo federal anunciou um conjunto de medidas para conter o crescimento dos gastos obrigatórios e garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal até 2026. O pacote, apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e outros membros do governo, prevê uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. Entre as principais ações estão:
- Redução gradual do abono salarial: Medida que impactará gastos no médio prazo.
- Teto para reajustes do salário mínimo: Controlará aumentos salariais acima da inflação.
- Fim das brechas para supersalários no serviço público: A proposta busca limitar ganhos acima do teto constitucional.
- Reforma da previdência dos militares: Alvo de reestruturação para reduzir custos a longo prazo.
- Isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil: Benefício anunciado com impacto fiscal compensado por tributações progressivas sobre os mais ricos.
As mudanças no Imposto de Renda fazem parte da segunda etapa da reforma tributária, destacando o compromisso do governo em reduzir desigualdades tributárias sem comprometer as contas públicas.
Reações do mercado e do governo
Apesar do otimismo demonstrado pela equipe econômica, o mercado financeiro reagiu com ceticismo às propostas, resultando na valorização do dólar. O ministro Fernando Haddad, no entanto, afirmou que o mercado precisa ajustar suas previsões, apontando erros nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do déficit público.
“O mercado estimava um crescimento de 1,5% do PIB no início do ano, e estamos próximos de 3,5%. Além disso, o déficit das contas públicas será menor que o previsto, chegando a 0,25% do PIB, contrariando estimativas mais pessimistas”, declarou Haddad.
Perspectivas para o futuro
Com o anúncio das medidas, o governo reforça seu compromisso em equilibrar as contas públicas enquanto promove uma reforma tributária mais justa. A isenção de IR para rendas mais baixas e o foco em limitar privilégios no setor público são vistos como passos importantes para aumentar a equidade no sistema econômico.