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DF intensifica ações contra viroses infantis durante período de sazonalidade

Saiba como o Distrito Federal se prepara contra viroses infantis. Plano inclui vacinação, 128 leitos de UTI e monitoramento de vírus como VSR e Influenza.

Com a chegada do período entre março e julho, o Distrito Federal enfrenta anualmente um aumento expressivo nas infecções respiratórias em crianças. Fatores climáticos e a transição das estações favorecem a circulação de patógenos como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a Influenza e o Sars-CoV-2. Para mitigar os impactos dessa sazonalidade, a Secretaria de Saúde (SES-DF) estruturou um plano de contingência focado em três pilares fundamentais: prevenção, monitoramento e assistência rápida.

A estratégia foi desenhada para atuar em diferentes níveis de gravidade, abrangendo desde a preparação inicial até fases de emergência e crise. Segundo Juliana Macêdo, coordenadora de Atenção Especializada à Saúde da SES-DF, o planejamento antecipado é vital para garantir a segurança das famílias e evitar a desassistência. O foco das autoridades está na integração da rede de saúde e na capacidade de resposta rápida diante do aumento da demanda por atendimento pediátrico.

Prevenção e a importância da imunização

A primeira linha de defesa contra as viroses infantis reside na prevenção. A SES-DF reforça que a vacinação é a ferramenta mais eficaz para reduzir casos graves e óbitos. No entanto, os dados atuais acendem um alerta: embora mais de 880 mil doses da vacina contra a influenza tenham sido aplicadas recentemente, apenas 53% do público infantil (crianças de 6 meses a menores de 6 anos) foi imunizado. Esse índice está significativamente abaixo da meta de 90% estabelecida pelas autoridades de saúde.

Além das vacinas tradicionais contra gripe e covid-19, a rede pública iniciou este mês a aplicação de anticorpos monoclonais, como o nirsevimabe e o palivizumabe. Estes medicamentos são voltados especificamente para a proteção de bebês prematuros contra o VSR, principal causador da bronquiolite. A imunização constante é necessária porque as cepas dos vírus são atualizadas anualmente e a imunidade conferida pelas vacinas costuma durar entre seis e doze meses.

Monitoramento e unidades-sentinela

Para entender a dinâmica de circulação viral, o Distrito Federal conta com dez unidades-sentinela estrategicamente distribuídas. Nesses locais, equipes de saúde coletam amostras de pacientes com sintomas gripais para análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF). Esse sistema funciona como um termômetro epidemiológico, permitindo a detecção precoce de novas cepas ou o aumento súbito de determinados vírus.

Os dados de vigilância mostram mudanças no cenário epidemiológico recente. Enquanto os casos graves de covid-19 apresentaram queda, as notificações de síndrome respiratória aguda grave causadas pela Influenza subiram de 373 para 1.421 entre 2023 e 2025. O aprimoramento tecnológico do Lacen-DF também permitiu uma identificação mais precisa dos vírus, reduzindo drasticamente o número de casos classificados anteriormente como “não especificados”.

Rede de atendimento e suporte hospitalar

A estrutura de atendimento no DF está organizada para absorver desde casos leves até situações de alta complexidade. As 182 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) funcionam como a principal porta de entrada, sendo recomendadas para sintomas iniciais e leves. O fortalecimento da atenção primária visa evitar a sobrecarga desnecessária de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Para os casos que exigem cuidados intensivos, a rede dispõe atualmente de 128 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (Utip). Esses leitos estão distribuídos em unidades como o Hospital da Criança de Brasília, Hospital de Base, HMIB e hospitais regionais, além de leitos contratualizados na rede privada. A SES-DF mantém um processo contínuo de capacitação de servidores e reorganização de fluxos para garantir que, mesmo nos picos de sazonalidade, o atendimento seja ágil e eficiente.