A diversidade é a marca registrada na propriedade de Evaldo Alves dos Santos. Vivendo há pouco mais de quatro anos no assentamento Terra Prometida, na zona rural de Sobradinho, o agricultor dedica seus cinco hectares ao cultivo de jiló, quiabo, maracujá, pimenta, framboesa, mandioca, milho, abóbora, melancia e dezenas de outras frutas e hortaliças. O diferencial? Toda a produção é realizada rigorosamente sem o uso de defensivos ou adubos químicos.
Em agosto de 2025, Evaldo alcançou um marco crucial para seu negócio: a documentação que garante aos consumidores a origem orgânica de seus alimentos. Este certificado não apenas atesta que a produção utiliza exclusivamente insumos permitidos na agricultura orgânica, mas também abre novas e lucrativas possibilidades de comercialização, agregando valor significativo aos seus produtos.
Evaldo agora integra o grupo de 386 produtores certificados do Distrito Federal, um número que não apenas é expressivo, mas que também superou as expectativas da Emater-DF. “Nossa meta inicial era alcançar 340 produtores certificados até o final de 2025”, explica Daniel Rodrigues, gerente do Escritório Especializado em Agricultura Orgânica e Agroecologia (Esorg) da Emater-DF. “Superamos esse objetivo graças à criação de novas Organizações de Controle Social [OCS] e à atuação intensa da empresa no programa Certifica DF, voltado ao fortalecimento da agricultura orgânica na capital federal.”
Assistência Técnica e a Superação de Metas
O sucesso na expansão da certificação orgânica no DF está diretamente ligado à estratégia de apoio técnico da Emater-DF. Por meio das OCS, os produtores se unem em grupos formalizados. Estes grupos têm a função vital de atestar a qualidade da produção e garantir a adoção de práticas que asseguram que o cultivo seja, de fato, orgânico, promovendo a transparência e a confiança do consumidor.
O engenheiro-agrônomo Daniel Rodrigues destaca que a certificação é um divisor de águas para a comercialização. “Com a certificação, os agricultores podem vender seus produtos em feiras especializadas e, crucialmente, fazer entregas para os programas de compras institucionais, ampliando drasticamente as oportunidades de comercialização e estabilidade financeira”, acrescenta o extensionista.
Qualidade de Vida e Ganhos Econômicos com o Orgânico
A transição para a agricultura orgânica representou uma mudança de vida profunda para Evaldo. De origem urbana, ele trabalhava como carpinteiro antes de se dedicar ao campo. Hoje, ele celebra a satisfação com a nova rotina. “Nossa vida melhorou muito. Consigo acompanhar de perto o crescimento das minhas duas filhas mais novas”, relata Evaldo, pai de seis filhos. Enquanto os mais velhos trilham outros caminhos, as caçulas participam ativamente das atividades na chácara, fortalecendo o vínculo familiar e o aprendizado prático.
Além da melhoria na qualidade de vida e do convívio familiar, a produção orgânica trouxe ganhos econômicos substanciais. “Os preços de venda são melhores. O trabalho é intenso, mas a recompensa compensa”, afirma o agricultor. Ele ressalta que, com as orientações contínuas da Emater-DF, recebidas pelo escritório de Planaltina, ele conseguiu otimizar processos e reduzir significativamente os custos de produção.
Evaldo Alves não foca apenas no aumento da renda familiar; ele demonstra plena consciência das vantagens ambientais inerentes ao sistema orgânico. “São práticas que conservam melhor o solo, que é um organismo vivo e precisa de cuidado”, atesta. Na chácara, ele mesmo se encarrega de produzir a compostagem utilizada em toda a plantação, fechando o ciclo sustentável.
Olhando para o futuro, o agricultor já planeja expandir seus horizontes. Atualmente, ele mantém um plantel com cerca de 400 galinhas caipiras. “Nosso plano é chegar a mil aves e conseguir a certificação também para a produção de ovos orgânicos”, vislumbra. “É muito satisfatório saber que estamos produzindo alimentos saudáveis, com custos mais baixos, respeito ao meio ambiente e, acima de tudo, melhorando a nossa vida.”



