O Governo do Distrito Federal (GDF) elevou o nível do combate ao mosquito Aedes aegypti em 2025, implementando uma estratégia robusta que harmoniza alta tecnologia com controle biológico de ponta. Essa abordagem dupla não apenas busca identificar e eliminar criadouros de forma mais eficiente, mas também neutralizar a capacidade de transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Desde outubro do ano passado, a Secretaria de Saúde (SES-DF) incorporou drones avançados em suas operações. Estes dispositivos sobrevoaram 22 regiões administrativas, realizando o mapeamento detalhado de mais de 2,1 mil hectares. O resultado dessa varredura aérea foi a identificação precisa de cerca de 3 mil possíveis focos do mosquito, muitos deles inacessíveis aos agentes de saúde tradicionais.
Paralelamente à tecnologia aérea, Brasília se consolidou como vanguarda nacional no controle biológico. Em setembro, foi inaugurado o Núcleo Regional de Produção Oswaldo Paulo Forattini — Método Wolbachia. Este centro é o coração da produção dos chamados “wolbitos”, os mosquitos amigos que estão transformando a luta contra as arboviroses na capital federal.
Método Wolbachia: Protegendo a População com Mosquitos Amigos
O método Wolbachia, desenvolvido por pesquisadores brasileiros, é uma inovação notável. Ele consiste na inoculação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Essa bactéria, inofensiva para humanos, impede que o mosquito transmita os vírus da dengue, zika e chikungunya. Ao serem liberados na natureza, esses mosquitos se reproduzem com os selvagens, passando a Wolbachia para as próximas gerações e, gradualmente, reduzindo o risco de surtos.
Os resultados iniciais no DF são impressionantes. Após 14 semanas de produção e 13 semanas de liberação estratégica, aproximadamente 13 milhões de wolbitos foram soltos em cerca de 14 mil pontos mapeados no Distrito Federal. “Protegendo o mosquito, a gente protege a população”, explica Anderson Leocadio, chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF. Este núcleo não só coordena a produção dos wolbitos, mas também centraliza o controle dos fumacês e a distribuição de todos os insumos (larvicidas, inseticidas e bombas costais) utilizados no combate vetorial.
Drones: Agentes de Saúde Aéreos e de Alta Precisão
A incorporação dos drones, realizada por meio do projeto “Voo pela Saúde”, executado pela empresa GRS80, trouxe uma nova dimensão à vigilância sanitária. O objetivo é mapear 30% do território do DF, alcançando áreas de difícil acesso e grandes alturas.
Anderson Leocádio destaca a funcionalidade multifacetada dos dispositivos. “O drone funciona como um novo agente de saúde, capaz de identificar focos ocultos em grandes alturas e até realizar o tratamento químico onde o agente não consegue chegar”, ressalta. Essa capacidade de visualização e tratamento imediato tem sido crucial em regiões populosas e extensas, como Paranoá, Ceilândia, Brazlândia, Sol Nascente, Estrutural, São Sebastião, Arapoanga e Fercal, que já foram sobrevoadas.
A Vigilância Constante e o Desafio da Chuva
Apesar do sucesso das novas tecnologias, a atenção da população e das autoridades deve ser mantida, especialmente durante o período chuvoso. A gerente de controle vetorial da SES-DF (referência implícita no texto original) alerta para as características biológicas do Aedes aegypti que tornam o combate um desafio contínuo: a durabilidade de seus ovos.
“A fêmea coloca os ovos acima da linha d’água e eles podem sobreviver ali no seco por mais de um ano. Por isso que, depois que chove, rapidamente o número de mosquitos aumenta, é perceptível”, explica a especialista. O ciclo de vida do mosquito é extremamente rápido quando há água: em apenas 30 minutos após o contato com a água, a larva eclode, e em uma semana a dez dias, o mosquito adulto está pronto para voar e transmitir doenças. Portanto, a eliminação de recipientes que acumulam água continua sendo a principal defesa da população, complementada agora pela inovação dos drones e dos mosquitos Wolbachia.



