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COP30 convoca setor privado para avançar em soluções climáticas

A presidência da COP30 convoca o setor privado a integrar sua agenda de ação, visando acelerar a transição verde e definir novas regras para o mercado global em Belém.
COP30 convoca setor privado
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém, está formalmente convidando o setor privado a integrar sua agenda de ação. O objetivo central é acelerar a transição ecológica global e, simultaneamente, delinear novas diretrizes para o mercado internacional. Essa convocação visa mobilizar diversos atores em prol de soluções climáticas eficazes e escaláveis.

Convocação Global para Ação Climática

Nesta sexta-feira (28), a liderança brasileira da COP30, representada pelo embaixador André Correa do Lago, divulgou uma carta à comunidade internacional. O documento serve como um convite explícito ao setor privado para aderir à agenda de ações climáticas proposta anteriormente pelo Brasil. Segundo Correa do Lago, para que uma COP seja verdadeiramente de implementação, a ação é imprescindível, e isso requer a participação de múltiplos atores além dos Estados.

Ele enfatizou que, embora os Estados sejam essenciais para as negociações e a governança, a COP30 busca uma presença marcante de entes subnacionais, universidades, da sociedade civil, de indivíduos e, particularmente, do empresariado. Ademais, o embaixador explicou que o impacto das ações climáticas nos próximos trinta anos dependerá diretamente da capacidade de criar condições regulatórias, econômicas e sociais, tanto a nível nacional quanto internacional, para que os objetivos do Acordo de Paris beneficiem tanto as pessoas quanto as empresas.

O Papel Transformador do Setor Privado e Novas Oportunidades de Mercado

A carta da presidência da COP30 ressalta os avanços já conquistados pelo setor privado na aceleração da transição verde. No entanto, o comunicado enfatiza a necessidade de um progresso exponencial a partir de agora. André Correa do Lago sugeriu que a COP30 tem o potencial de se tornar o palco para a definição de novas regras que guiarão o mercado mundial, impulsionando a criação de frentes de negócios inovadoras e transformadoras.

Dessa forma, a carta aponta para uma mudança inevitável, exemplificando-a com a transição energética. Conforme um relatório das Nações Unidas, essa transição movimentou mais de US$ 2 bilhões em investimentos globais no último ano e gerou cerca de 35 milhões de empregos apenas em 2023. Entretanto, Ana Toni, diretora executiva da COP30, destacou que esses feitos são fruto do trabalho de empresas pioneiras, mas o apelo agora se estende a todas as organizações, e não apenas aos visionários.

Com efeito, a convocação visa dar escala e acelerar o processo de combate às mudanças climáticas da maneira urgente que se faz necessária. O embaixador Correa do Lago observou que o setor privado, ao identificar as oportunidades econômicas, é capaz de ir além das expectativas ou recomendações governamentais. “Estamos criando uma nova dinâmica do setor privado, com uma autonomia que não está ligada à negociação, mas sim aos ganhos que ele pode obter ao adotar essa nova forma de atuação”, afirmou.

Orientação e Mecanismos de Monitoramento: O Celeiro de Soluções

A presidência brasileira da COP30 sugere que o setor privado utilize o primeiro Balanço Global (GST, na sigla em inglês), um instrumento de avaliação do Acordo de Paris apresentado na COP28, como principal guia para suas ações. Além disso, a carta informa que diversas iniciativas propostas anteriormente pelo setor privado estão sendo mapeadas e otimizadas. O objetivo é facilitar o monitoramento contínuo das ações em andamento, garantindo transparência e eficácia.

Para tanto, uma nova ferramenta será implementada através de um Grupo de Ativação. Este grupo reunirá iniciativas consideradas pioneiras, escaláveis e com impacto real em uma plataforma denominada “Celeiro de Soluções”. Cada uma dessas iniciativas será acompanhada por um Plano de Aceleração de Soluções, que incluirá sugestões de ajustes de políticas, oportunidades de parcerias e o financiamento necessário para sua execução. André Correa do Lago explicou que esse mecanismo serve como uma provocação ao secretariado da Convenção Climática, reforçando a necessidade de acompanhamento para que as ações avancem para além das negociações, porém de forma a incentivar, e não a constranger.

O embaixador ressaltou a importância central do monitoramento, pois ao analisar as agendas de ação anteriores, identificou-se quase 490 iniciativas, das quais poucas são lembradas. “Ninguém lembra nem de 30, então tem ações que a gente já podia fazer”, acrescentou. Portanto, o novo sistema busca evitar a dispersão de esforços e garantir que as soluções propostas sejam de fato implementadas e acompanhadas.

Colaboração Público-Privada e a Urgência Amazônica

A carta da presidência da COP30 enfatiza que a colaboração entre os setores público e privado é fundamental para enfrentar a urgência da crise climática, ao mesmo tempo em que cria oportunidades mutuamente vantajosas. Consequentemente, a transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima é descrita como um dos maiores motores de inovação e crescimento da história.

Da energia limpa à agricultura regenerativa, passando por cadeias de abastecimento circulares e soluções baseadas na natureza, as fronteiras dos negócios sustentáveis expandem-se exponencialmente, e com elas, as oportunidades. Em conclusão, o comunicado reforça o convite a CEOs, investidores, inovadores e empresários para irem a Belém, a fim de colaborar e compartilhar soluções. Embora reconheça o desafio logístico do local escolhido, a presidência da COP30 justifica:

“A Amazônia é um símbolo da urgência planetária e o lar de pessoas cujas vidas incorporam tanto a linha de frente da crise climática quanto o coração de suas soluções. Vir a Belém é uma chance de arregaçar as mangas, ouvir, aprender e participar do espírito colaborativo do Mutirão Global.”

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