Edição Brasília

Consulta pública do MPF propõe medidas contra racismo no futebol brasileiro

Sociedade poderá enviar propostas até 23 de abril. CBF, governo e entidades debatem ações efetivas para prevenir novos casos de discriminação no esporte.
Luighi Hanri Sousa
Foto: Instagram/Luighi

MPF convida sociedade a participar do combate ao racismo no futebol

O Ministério Público Federal abriu uma consulta pública nacional sobre o combate ao racismo no futebol brasileiro. A iniciativa convida a sociedade a enviar propostas até o dia 23 de abril.

O canal de participação está disponível por e-mail, e as ideias devem contribuir com a criação de políticas mais eficazes no esporte. A ação busca envolver cidadãos, torcedores, clubes e entidades na construção de um ambiente mais justo nos estádios e fora deles.

Debate acontecerá com a CBF, ministérios e organizações sociais

As propostas serão avaliadas em uma reunião marcada para o dia 28 de abril. O encontro contará com representantes da CBF, dos Ministérios do Esporte e da Igualdade Racial, além da plataforma JusRacial.

Por isso, a consulta ganha importância estratégica. O MPF acredita que o diálogo entre órgãos públicos e entidades civis pode gerar soluções consistentes e aplicáveis em todo o país.

Além disso, as sugestões devem reforçar o papel da CBF na prevenção e no combate à discriminação racial nos campos de futebol.

Caso Luighi impulsiona inquérito e mobilização nacional

A consulta é consequência direta de um inquérito aberto após o episódio envolvendo Luighi Hanri Sousa Santos, jogador sub-20 do Palmeiras. O atleta foi vítima de ataques racistas durante uma partida contra o Cerro Porteño, em março de 2024, pela Copa Libertadores Sub-20.

O MPF identificou falhas da CBF na condução do caso. A entidade não solicitou a interrupção do jogo, não questionou a súmula da partida e também não contestou o valor da multa aplicada pela Conmebol. Portanto, o órgão entende que houve possível omissão.

Legislação precisa se tornar ação concreta

O Brasil possui leis importantes como o Estatuto da Igualdade Racial e a Lei Geral do Esporte. No entanto, a simples existência de normas não garante a sua eficácia.

Por isso, o MPF propõe fortalecer a articulação entre clubes, federações, governo e sociedade civil. Assim, será possível desenvolver ações educativas, punitivas e preventivas de forma mais ampla e efetiva.

Esporte pode ser ferramenta para mudança social

O futebol, apesar de ainda ser cenário de racismo, possui grande potencial transformador. A ONU reconheceu isso em 2022, ao lançar o plano The Game Plan, que orienta países a usarem o esporte para combater o discurso de ódio.

Enquanto isso, o MPF aposta em campanhas educativas, formação de profissionais e valorização de boas práticas. A sociedade também pode e deve cobrar mudanças das entidades esportivas.

Assim, o futebol pode se tornar exemplo de respeito, inclusão e diversidade.