Aos 79 anos, a escritora Conceição Evaristo, uma das vozes mais influentes da literatura contemporânea brasileira, marca sua estreia como atriz. Ela protagoniza o filme Se Eu Fosse Vivo… Vivia, dirigido por André Novais Oliveira, que foi escolhido como a obra de abertura da 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (CineBH). O evento, que celebra a diversidade audiovisual, ocorre entre os dias 22 e 27 de setembro.
Uma trajetória premiada nos cinemas
No longa-metragem, Evaristo interpreta Jacira, uma mulher aposentada que vive o cotidiano ao lado do marido, Gilberto. A narrativa explora a intimidade do casal ao longo de cinco décadas, abordando desde a juventude até os desafios do envelhecimento, como os cuidados com a saúde e as transformações geradas pela doença de Jacira. A obra já possui reconhecimento nacional, tendo conquistado o Troféu Candango de melhor longa-metragem pelo júri oficial na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Homenagens e reflexões sobre o futuro
Além de brilhar na tela, Conceição Evaristo será uma das grandes homenageadas do CineBH, recebendo o Troféu Horizonte. Segundo a coordenação do evento, a distinção visa celebrar sua trajetória literária e sua bem-sucedida incursão no universo cinematográfico. Para Raquel Hallak, coordenadora-geral da mostra, essa homenagem reforça a transversalidade do audiovisual e suas conexões profundas com a literatura e a música.
A edição deste ano do festival coloca em pauta o futuro da produção latino-americana. A proposta é instigar o público e os profissionais do setor a refletirem sobre as narrativas que estão sendo construídas e quais histórias ainda precisam ser contadas na região. Além de Evaristo, a mostra também presta tributo à cineasta paraguaia Paz Encina. Nascida em 1971, Encina é reconhecida por sua resiliência em um cenário de produção descontínua, mantendo um trabalho consistente que frequentemente aborda a memória e a história do Paraguai.







