CNJ Interrompe Pagamento Extraordinário para Magistrados
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a suspensão do pagamento de um auxílio-alimentação no valor de R$ 10.055,00 destinado a juízes e servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A decisão foi assinada nesta sexta-feira (20) pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, e reflete a necessidade de uma análise aprofundada sobre a legalidade do benefício.
O pagamento, aprovado pelo Conselho da Magistratura do TJMT no dia 17 de dezembro, gerou debates sobre o impacto financeiro e a justificativa para a concessão do valor. Além do benefício natalino, o tribunal havia reajustado o auxílio mensal regular para R$ 2.055,00.
Análise e Justificativa da Suspensão
O corregedor Mauro Campbell destacou, em sua decisão, que o aumento expressivo do auxílio-alimentação poderia representar uma desconfiguração do benefício. Segundo ele, o valor elevado foge do propósito original de custear despesas básicas com alimentação.
Campbell afirmou que a decisão de suspender o pagamento foi tomada para evitar prejuízos ao erário enquanto o caso é analisado detalhadamente. “O aumento do auxílio-alimentação, nos moldes apresentados, se afasta da natureza do benefício e requer análise minuciosa para assegurar o cumprimento dos princípios constitucionais”, pontuou o corregedor.
A suspensão terá efeito imediato e permanecerá em vigor até que o CNJ conclua a análise do mérito.
Reação e Posicionamento do TJMT
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão do CNJ. A Agência Brasil entrou em contato com o TJMT e aguarda retorno. O espaço segue aberto para que o tribunal apresente justificativas ou esclarecimentos a respeito do pagamento do benefício.
Internamente, fontes ligadas ao tribunal afirmam que o auxílio-alimentação natalino foi aprovado como forma de valorização dos magistrados e servidores, em reconhecimento ao trabalho prestado ao longo do ano.
Debate Sobre Auxílios e Gastos Públicos
A decisão do CNJ reacende o debate sobre a concessão de benefícios a magistrados e o impacto nos cofres públicos. O pagamento de auxílios extras em valores considerados elevados gera questionamentos em um momento de ajustes fiscais e busca por maior transparência na administração pública.
Especialistas em direito administrativo apontam que, embora seja legal a concessão de auxílios, o valor precisa estar de acordo com os princípios da razoabilidade e moralidade, respeitando os limites estabelecidos pela legislação.