A fragilidade democrática e as cicatrizes deixadas pelas ditaduras militares na América Latina voltam ao centro do debate cultural com o Prêmio Platino. Pelo menos três grandes produções concorrentes abordam abertamente o autoritarismo e a luta por direitos políticos, refletindo tensões que ainda persistem na região, segundo historiadores e críticos de cinema.
Destaques brasileiros e paraguaios
Entre os favoritos estão os brasileiros “O Agente Secreto” e o documentário “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, além do paraguaio “Sob as bandeiras, o Sol”. Enquanto o filme de Petra analisa a influência religiosa na política atual, a obra paraguaia de Juanjo Pereira resgata imagens raras para expor a brutalidade do regime de Alfredo Stroessner, que contou com apoio brasileiro na Operação Condor.
Para especialistas, o cinema cumpre um papel fundamental ao impedir o apagamento da memória política. Em um cenário onde figuras públicas ainda relativizam violações de direitos humanos, essas obras funcionam como ferramentas de resistência e educação, reafirmando que a democracia é o único espaço possível para o atendimento das demandas sociais básicas.



