A transformação da realidade habitacional no Distrito Federal ganha novos contornos com o avanço do Cartão Material de Construção. Criado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o programa já alcançou 249 famílias no Recanto das Emas e na comunidade Santa Luzia, na Estrutural. Com um investimento individual de R$ 15 mil, moradores que antes viviam em condições precárias agora celebram a conquista da casa de alvenaria e a dignidade de um lar seguro.
Adriana Ribeiro, cozinheira de 34 anos e moradora da Estrutural, é um exemplo vivo dessa mudança. Sua antiga residência, feita de madeira e telhas improvisadas, deu lugar a uma estrutura sólida com cômodos divididos, cerâmica e saneamento básico. “Coloquei portas, terminei meu banheiro e coloquei uma pia. Antes era tudo em madeirite, mas estamos melhorando a cada dia”, relata Adriana, que agora desfruta de água encanada e infraestrutura urbana na porta de casa.
Investimento em infraestrutura e saneamento integrado
O impacto do benefício é potencializado por obras de saneamento integrado na região de Santa Luzia. Autorizadas no final de 2025, as intervenções somam mais de R$ 92 milhões em investimentos governamentais. O projeto inclui a construção de redes de água, esgoto, galerias pluviais e bacias de detenção, beneficiando diretamente mais de 20 mil pessoas. Além disso, a Neoenergia Brasília executa a instalação de 30 km de rede elétrica, garantindo iluminação e segurança para a comunidade.
Alceu Prestes de Mattos, administrador regional da Estrutural, ressalta que o Cartão Material de Construção e as obras públicas caminham juntos. Enquanto o governo urbaniza as ruas, o auxílio financeiro permite que o cidadão saia do barraco de madeira para uma construção digna. Segundo o administrador, essa é uma resposta direta a uma demanda histórica de uma das áreas mais vulneráveis da capital federal.
O papel da Codhab e o apoio às famílias em vulnerabilidade
Gerido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), o programa foca em cidadãos desalojados ou em situação de emergência. Desde sua implementação em maio de 2025, o GDF já empenhou R$ 3.735.000 no projeto. O Residencial Tamanduá, no Recanto das Emas, lidera o número de beneficiários com 197 cartões entregues, seguido pela Santa Luzia com 52 famílias contempladas.
Marcelo Fagundes, diretor-presidente da Codhab, enfatiza que a iniciativa oferece um recomeço para quem perdeu tudo em catástrofes naturais ou precisou ser realocado por questões de segurança. “É uma política eficaz que muda a vida de quem está no desespero, oferecendo conforto e uma nova expectativa de futuro”, afirma o gestor. Histórias como a de Regiane Braga, que convivia com mofo e infiltrações com seus cinco filhos, confirmam o impacto social da medida.
Critérios de participação e acesso ao benefício
O Cartão Material de Construção atende casos específicos confirmados pela Defesa Civil e pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF). Entre as situações elegíveis estão incêndios, alagamentos, deslizamentos e realocações de áreas de risco. O processo de seleção é rigoroso para garantir que o recurso chegue a quem realmente necessita de suporte imediato para reconstruir sua vida.
Para ter direito ao auxílio, a família deve comprovar renda de até cinco salários mínimos e residência no Distrito Federal nos últimos cinco anos. Uma vez aprovados os requisitos, o beneficiário recebe um cartão magnético emitido pelo Banco de Brasília (BRB). O valor de R$ 15 mil deve ser utilizado exclusivamente para a compra de insumos de construção em estabelecimentos credenciados, com um prazo de utilização de até 90 dias após a entrega do benefício.



