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Carnaval de Brasília: Conheça a história dos blocos que marcam gerações

Descubra a história dos blocos tradicionais de Brasília. Galinho, Baratona e Raparigueiros mantêm viva a cultura e a tradição no DF Folia 2026. Confira!
Carnaval de Brasília: Conheça a história dos blocos que marcam gerações

Embora Brasília seja uma capital jovem, a cidade ostenta uma tradição carnavalesca robusta que desafia o tempo. Há décadas, blocos tradicionais ocupam as ruas, transformando o concreto da capital em um palco vibrante de manifestações culturais. Esses grupos não apenas animam os foliões, mas carregam a identidade e a história de uma população diversa, consolidando o Carnaval como um patrimônio vivo do Distrito Federal.

O secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes, ressalta que essas agremiações guardam afetos e ritmos que atravessam gerações. Segundo ele, ao valorizar tais manifestações, o Governo do Distrito Federal (GDF) reafirma seu compromisso com a cultura popular e com a ocupação democrática dos espaços públicos, garantindo uma festa plural, segura e acessível para todos os cidadãos.

O Galinho de Brasília e a Resistência Pernambucana

Um dos maiores símbolos dessa resistência é o Galinho de Brasília. O bloco nasceu da saudade e da criatividade de um grupo de amigos pernambucanos residentes na capital. No início dos anos 1990, o confisco das cadernetas de poupança impediu a viagem anual do grupo para o Carnaval de Recife e Olinda. Diante da impossibilidade de viajar, eles decidiram trazer o frevo para o Planalto Central.

Fundado oficialmente em 1992 na 203 Sul, o Galinho rapidamente se tornou um fenômeno. Miriam Brasiel, uma das fundadoras, recorda que a primeira saída foi um sucesso absoluto. O nome é uma homenagem direta ao Galo da Madrugada, e o bloco se consolidou como um reduto de segurança e alegria para quem busca as raízes nordestinas. Para foliões como a servidora Maria Bernadete, o Galinho é o local onde ela reencontra o frevo de bloco que ouvia na infância, sentindo-se abraçada pela generosidade cultural de Brasília.

Baratona e Raparigueiros: Tradição que Une Famílias

Outro pilar do Carnaval brasiliense é a Baratona, que remonta a 1976. O que começou como uma brincadeira de bar em bar na Asa Sul, idealizada pelo pai de Daniel Lima, evoluiu para um dos eventos mais familiares da cidade. Hoje, sob a presidência de Daniel, o bloco foca na expertise de oferecer diversão segura para crianças e adultos, proibindo estritamente o consumo de álcool e cigarros em áreas específicas para garantir o bem-estar dos pequenos.

Já o Bloco dos Raparigueiros surgiu da energia de jovens que utilizavam instrumentos emprestados da escola de samba Candangos do Bandeirante. O grupo, que inicialmente seguia outros blocos em batucadas improvisadas, cresceu exponencialmente com a chegada dos trios elétricos. Atualmente, os Raparigueiros são reconhecidos como um símbolo inquestionável da folia local, dialogando com novas gerações sem perder os fundamentos da manifestação popular.

Investimento e Estrutura no DF Folia 2026

O coordenador-geral do DF Folia, Dorival Brandão, enfatiza que Brasília construiu uma tradição consistente e enraizada em matrizes culturais plurais. Para ele, os blocos tradicionais são protagonistas que acompanham o crescimento da cidade e mantêm vivos os fundamentos do Carnaval como patrimônio cultural. Essa estrutura é sustentada por políticas públicas eficazes que reconhecem a importância da festa para a economia e a identidade local.

O DF Folia 2026 é uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) em parceria com o Governo do Distrito Federal. Realizado por meio de chamamento público, o projeto conta com um investimento total de R$ 10 milhões. A execução ocorre em colaboração com a Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade, garantindo que a programação completa chegue a todos os cantos da capital através dos canais oficiais e redes sociais.