Para muitos brasileiros, o Carnaval representa o ápice da liberdade e da alegria, um momento em que a rotina dá lugar aos blocos de rua, fantasias e encontros sociais. No entanto, o que deveria ser apenas diversão pode rapidamente se transformar em um quadro de exaustão física e emocional. A combinação de noites mal dormidas, altas temperaturas, consumo de álcool e aglomerações exige atenção redobrada para evitar que a festa termine em problemas de saúde graves, como crises de ansiedade e desidratação.
O dilema entre a festa e o descanso
Enquanto foliões dedicados como a administradora Marina Azevedo, de 29 anos, renovam suas energias no meio da multidão, outros preferem o silêncio. O professor Eduardo Lima, de 41 anos, exemplifica o grupo que utiliza o feriado para organizar a vida e dormir mais. Segundo a psicóloga Dúlcila Galvão, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), ambas as escolhas são legítimas e dependem da personalidade de cada indivíduo.
A especialista esclarece que a diferença entre quem se sente energizado em festas e quem prefere o isolamento reside nos traços de introversão e extroversão. Pessoas introvertidas tendem a se desgastar mais rapidamente em ambientes com excesso de estímulos e precisam de momentos reservados para recuperar o bem-estar. O problema surge quando a pressão social gera um sentimento de culpa em quem decide não sair de casa. “Descansar também é uma escolha saudável. O mais importante é reconhecer quais contextos favorecem o seu equilíbrio”, afirma a psicóloga.
Os perigos da privação de sono e do excesso de estímulos
A saúde física sofre impactos diretos quando o corpo é levado ao limite. A privação de sono, comum durante os dias de folia, compromete o sistema imunológico e altera funções cognitivas essenciais, como a memória e a capacidade de tomada de decisão. Quando o cansaço extremo se junta ao calor e à ingestão de bebidas alcoólicas, o risco de desmaios, quedas e irritabilidade aumenta significativamente.
Além disso, o excesso de estímulos visuais e sonoros pode desencadear episódios de ansiedade. Dúlcila Galvão explica que os sintomas podem ser confundidos com problemas cardíacos, incluindo taquicardia, falta de ar e tremores. O álcool atua como um potencializador dessas sensações, diminuindo o controle emocional e tornando o indivíduo mais vulnerável a crises de pânico ou reações desproporcionais em situações de estresse.
Quando e onde buscar ajuda médica
Reconhecer os sinais de que o corpo ou a mente chegaram ao limite é fundamental para garantir a segurança durante o feriado. Sintomas como confusão mental, sensação de pânico recorrente ou desmaios indicam a necessidade de atendimento especializado imediato. A saúde mental deve ser tratada com a mesma urgência que qualquer emergência física.
No Distrito Federal, a rede pública de saúde oferece diversos pontos de apoio. A porta de entrada principal são as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Para casos de sofrimento emocional contínuo, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são a referência. Já em situações críticas, como surtos ou crises graves de ansiedade, a população deve procurar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou acionar o Samu pelo telefone 192. Durante o Carnaval, o atendimento psiquiátrico especializado estará concentrado nas UPAs do Núcleo Bandeirante, Sobradinho e Vicente Pires, além do Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga.



