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Brics reafirmam compromisso ambiental e defendem transição energética justa em reunião no Brasil

Ministros de Meio Ambiente dos 11 países-membros discutem ações conjuntas para combater as mudanças climáticas e reforçam a importância do multilateralismo.
Brics
Foto: Brics/Divulgação

Brics ampliam esforço coletivo por sustentabilidade

Os países que integram o Brics reafirmaram, nesta quinta-feira (3), em Brasília, o compromisso com ações urgentes para combater os efeitos das mudanças climáticas globais.

A declaração ocorreu durante a 11ª Reunião dos Ministros de Meio Ambiente do bloco, realizada no Palácio do Itamaraty, com a presença de 11 países. Além dos cinco membros originais (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), participaram também Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã.

Os ministros destacaram que a cooperação multilateral é essencial para enfrentar os desafios ambientais. Por isso, defenderam uma atuação coordenada, especialmente em temas como desertificação, degradação da terra, poluição e perda de biodiversidade.

Ações concretas e metas renováveis

Durante o encontro, os representantes ambientais concordaram que é necessário triplicar o uso de fontes de energia renovável, além de duplicar a eficiência energética.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou que essa transição energética precisa ser justa e adaptada às diferentes realidades econômicas. “O importante é agir agora, com responsabilidade e planejamento. E cada país deve fazer sua parte”, declarou.

Além disso, os participantes discutiram formas de melhorar a gestão de resíduos, combater a poluição por plástico e restaurar ecossistemas. Esses pontos também integram a Agenda 2030 da ONU, que orienta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Financiamento climático preocupa os países-membros

Um dos temas centrais foi o financiamento internacional. Os ministros cobraram o cumprimento do acordo firmado na COP29, no qual os países desenvolvidos prometeram investir US$ 300 bilhões por ano até 2035 em ações climáticas nos países do sul global.

Segundo Marina Silva, é fundamental garantir os recursos financeiros. “Sem dinheiro, não conseguimos executar o que acordamos. E precisamos transformar discurso em prática”, afirmou.

Embora alguns países do bloco sejam grandes produtores de combustíveis fósseis, o debate avançou com transparência. Todos os representantes defenderam metas climáticas realistas, mas ambiciosas.

Metas climáticas devem ser entregues até setembro

Até o momento, apenas Brasil e Emirados Árabes apresentaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que estabelecem metas para redução de emissões até 2035.

O prazo final para que os demais países entreguem seus planos termina em setembro. Por isso, Marina Silva reforçou que o tempo é curto, mas a urgência é grande. “Precisamos acelerar esse processo, porque o planeta não pode esperar”, concluiu.

Brics mostra união e visão de futuro

Apesar das diferenças entre os países, o Brics demonstrou que é possível trabalhar em conjunto em favor do desenvolvimento sustentável. O encontro também consolidou o bloco como voz importante nos debates ambientais internacionais.

Além disso, as propostas aprovadas em Brasília reforçam a confiança no potencial do grupo para promover uma economia verde, inclusiva e baseada na cooperação.

Enquanto o mundo enfrenta uma crise ambiental crescente, o Brics envia uma mensagem clara: a mudança começa agora, com união, ação e visão de longo prazo.