Brasília celebra 66 anos e, para muitos artistas, a tradução da capital federal vai além dos discursos oficiais. O mímico Miqueias Paz, com mais de seis décadas de vida, utiliza o silêncio e o movimento corporal para narrar as desigualdades e a bravura dos imigrantes que construíram a metrópole no coração do Cerrado.
A Arte como Resistência e Consciência
Miqueias iniciou sua trajetória em Taguatinga, levando o teatro para ocupações e ruas. Sua arte física foi uma forma de resistência durante a ditadura militar, culminando em gestos icônicos na rampa do Congresso Nacional. Hoje, ele mantém um espaço cênico na comunidade 26 de Setembro, acolhendo artistas ambulantes e preservando a memória social da periferia.
O Ritmo do Cerrado
Além da mímica, a identidade brasiliense é reforçada por grupos como “Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro”. Criado por Tico Magalhães, o grupo inventou o “samba pisado”, um ritmo que mistura influências nordestinas com a mitologia própria da capital. Essa fusão cultural mostra que Brasília é uma cidade em constante invenção, onde a tradição é criada a cada novo passo.



