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Agricultura Urbana: Brasília Verde leva segurança alimentar e sustentabilidade ao DF

Saiba como o Programa Brasília Verde da Emater-DF está transformando a vida urbana. Mais de 160 unidades, incluindo escolas e UBSs, recebem hortas agroecológicas e sistemas sustentáveis.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) está estendendo seu alcance além do campo, focando na capital por meio do Programa Brasília Verde de Agricultura Urbana. Esta iniciativa tem sido crucial para fortalecer a segurança alimentar e promover a sustentabilidade em diversas regiões do Distrito Federal, transformando espaços ociosos em áreas produtivas e educativas.

Em 2025, o programa demonstrou um impacto significativo ao atender 164 unidades, distribuindo insumos e apoio técnico especializado. O foco principal recaiu sobre a educação e a saúde: 94 escolas e creches foram beneficiadas, juntamente com 33 unidades de saúde e socioassistenciais. O programa também alcançou 26 instituições sem fins lucrativos e 11 unidades ligadas à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), incluindo quatro do sistema penitenciário e sete do sistema socioeducativo.

São inúmeras hortas agroecológicas — comunitárias, escolares, medicinais e terapêuticas — que garantem acesso a alimentos frescos e nutritivos para milhares de moradores do DF. Além de fornecer alimentos de qualidade, o programa utiliza a agricultura como ferramenta de integração social e bem-estar.

Investimento em Infraestrutura Sustentável e Educação Ambiental

O programa Brasília Verde não se limita à produção de alimentos; ele também impulsiona a infraestrutura sustentável. Foram investidos R$ 350 mil diretamente nas hortas urbanas. Adicionalmente, R$ 233 mil foram alocados para a instalação de sistemas de captação de águas pluviais em 21 escolas da rede pública. Essa tecnologia de baixo custo não só permite a reutilização eficiente da água, mas também dissemina a educação ambiental entre jovens estudantes, ensinando sobre a gestão responsável dos recursos naturais.

Rogério Lucio Vianna Filho, engenheiro-agrônomo e gerente de Agricultura Urbana da Emater-DF, enfatiza que o programa vai além da produção. “Propomos a adoção de tecnologias sustentáveis e de baixo custo, como captação de águas da chuva e aproveitamento de resíduos orgânicos para fabricação de bioinsumos e compostagem,” explica. É importante notar que a Emater-DF também investiu R$ 1,4 milhão na aquisição e distribuição de 714 kits de insumos para famílias rurais, fortalecendo a produção no campo de forma mais ampla.

Hortas Medicinais: Saúde e Vínculo Comunitário

Um exemplo notável do impacto do programa é a horta medicinal apoiada pela Emater-DF na Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 do Guará. Inaugurado em fevereiro de 2025, o “horto” é resultado de um esforço conjunto com o Instituto Arapoti, Fundação Oswaldo Cruz e Embrapa, após um curso de horticultura urbana.

A farmacêutica Rosane Lopes, responsável pelo espaço, celebra a diversidade: “São mais de 80 espécies de plantas em um sistema de agrofloresta, incluindo abóbora, couve, berinjela, capim-limão, pimenta-de-cheiro e hortelã.” As hortaliças e frutas são destinadas à comunidade atendida pela UBS, com colheitas realizadas todas as quintas-feiras. Rosane também destaca a implantação da Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (Rhamb) pela Secretaria de Saúde (SES-DF) em abril de 2025, uma estratégia de saúde da família que reforça vínculos sociais e auxilia no acompanhamento e tratamento dos pacientes.

O morador Mario Moriani, voluntário na horta do Guará, relata o impacto pessoal da iniciativa. “Trabalhar aqui me deu a oportunidade de plantar muitas coisas, faz parte do meu projeto de vida. Me sinto conectado à terra, é uma ação que envolve o lado emocional, o lado espiritual e me conforta saber que estou produzindo alimentos orgânicos e de qualidade para a comunidade,” comenta.

Combate à Vulnerabilidade Social e Escola Modelo

Rogério Lúcio Vianna Filho reforça a importância social do programa, especialmente no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade. “Sabemos que os alimentos de qualidade, especialmente os orgânicos, são menos acessíveis a parte da população. Nosso foco é levar segurança alimentar e nutricional, qualidade de vida e bem-estar por meio de uma alimentação segura para essas pessoas,” conclui o extensionista da Emater-DF.

O programa também cria modelos de referência em sustentabilidade, como a Escola Classe (EC) da Jibóia, em Ceilândia. Embora esteja em área rural, a escola foi beneficiada com um pacote completo de tecnologias sustentáveis: sistemas de captação de águas pluviais, energia fotovoltaica, horta pedagógica e fossa biodigestora. Tiago Leite, técnico da Gerência de Agricultura Urbana da Emater-DF, afirma que o projeto está totalmente instalado e pode servir de modelo para outras escolas da rede oficial, atendendo cerca de 80 estudantes do ensino fundamental.

O sucesso do Brasília Verde é viabilizado por meio de recursos provenientes de emendas parlamentares, garantindo que a Emater-DF possa expandir seu trabalho em áreas urbanas e periurbanas do Distrito Federal, promovendo saúde e sustentabilidade em toda a comunidade.