A seleção do Haiti foi impedida pela Fifa de estampar em seu uniforme de estreia na Copa do Mundo um dos episódios mais marcantes de sua história: a revolução que resultou no fim da escravidão e na independência do país, ocorrida entre 1791 e 1804. A entidade máxima do futebol alegou que a ilustração configurava uma manifestação política, o que é estritamente proibido por seus regulamentos vigentes.
O simbolismo da Batalha de Vertières
O desenho vetado retratava a Batalha de Vertières, ocorrida em 18 de novembro de 1803, um combate decisivo que selou a derrota das forças francesas coloniais. Coincidentemente, a classificação histórica do Haiti para o mundial ocorreu exatamente no dia 18 de novembro de 2025, tornando a homenagem ainda mais significativa para o povo haitiano.
Silenciamento histórico e precedentes
Especialistas apontam que essa censura não é um caso isolado no esporte. Recentemente, o Comitê Olímpico Internacional também barrou a imagem de Toussaint Louverture, líder revolucionário, nos Jogos de Inverno. Para historiadores, essas decisões refletem um processo contínuo de silenciamento da memória de revoluções lideradas por populações negras contra a opressão colonialista.



