Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP revelou que pacientes com doença de Chagas que passam por cirurgias cardíacas enfrentam um risco de morte pós-operatória significativamente maior. A taxa de mortalidade geral após o procedimento chega a 36% nesse grupo, representando um risco cerca de 2,4 vezes superior em comparação com portadores de outras cardiopatias.
Complexidade cirúrgica e fatores de risco
Ao contrário do que se poderia supor, o aumento do risco não é provocado diretamente pelas arritmias em si, mas sim pela alta complexidade das intervenções cirúrgicas. Em cerca de 80% dos pacientes com Chagas, os médicos precisam acessar a camada externa do coração (epicárdio) para realizar procedimentos como a ablação por cateter. Para efeito de comparação, apenas 15% dos pacientes com cardiopatia isquêmica necessitam dessa abordagem complexa.
Desafios no tratamento pelo SUS
A doença de Chagas é uma condição crônica causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente pelo inseto barbeiro. A infecção causa lesões graves no coração e nos intestinos ao longo dos anos. Diante dos resultados, os pesquisadores reforçam a necessidade de aprimorar o acompanhamento pós-operatório e criar protocolos específicos no Sistema Único de Saúde (SUS), onde a maior parte dessa população é atendida.



