Um levantamento inédito realizado a partir de dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb 2023) aponta que cerca de 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio no Brasil não reconhecem a existência de debates sobre desigualdades raciais em suas salas de aula. O cenário ocorre mesmo com a vigência de leis federais que tornam obrigatório o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.
Desafios na consolidação da educação antirracista
O estudo, intitulado “Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores”, foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o Núcleo de Pesquisa Afro do Cebrap, o Instituto Alana e o Instituto Geledés. Os resultados indicam que a educação antirracista ainda enfrenta barreiras para se consolidar como uma experiência prática e perceptível no cotidiano escolar dos jovens brasileiros.
Aplicação irregular da legislação nacional
Segundo a socióloga Flávia Rios, professora da USP e pesquisadora do Cebrap, a implementação das diretrizes antirracistas tem ocorrido de maneira muito irregular pelo país. Ela destaca que, embora existam projetos pontuais de formação de professores e mudanças curriculares nas últimas duas décadas, o sistema educacional ainda não conseguiu universalizar a aplicação da lei de forma transdisciplinar e consistente.



