As ruas do tradicional bairro do Bixiga, em São Paulo, foram tomadas pelo som dos tambores e pelo perfume da água de cheiro na noite desta quarta-feira (13). A Lavagem da Escadaria do Bixiga, evento realizado desde 2006, reuniu mulheres negras e ativistas em um ato que mistura religiosidade, cultura e protesto político contra o legado do colonialismo no Brasil.
O Resgate do Território Negro
Embora o Bixiga seja amplamente conhecido por sua herança italiana, o movimento busca resgatar a memória da região como um antigo território negro, onde existiu o Quilombo Saracura. Segundo Beth Beli, regente do bloco Ilú Obá de Min, o ato de lavar as ruas é um gesto simbólico para ‘recontar a história’ e iluminar a presença das mulheres negras na construção da cidade.
O manifesto lido durante o cortejo destacou a luta contra o racismo, o machismo e a LGBTfobia, rejeitando a celebração da assinatura da Lei Áurea como uma liberdade plena. Para as organizadoras, a verdadeira abolição ainda é um processo em construção, movido pela cooperação mútua e pela resistência cultural que ecoa através dos instrumentos milenares de comunicação: os tambores.



