Um novo levantamento intitulado “As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023)” aponta que o gênero e a raça são fatores determinantes na exposição à fome. Segundo as autoras Veruska Prado e Rute Costa, domicílios liderados por mulheres negras nas regiões Norte e Nordeste apresentam os cenários mais críticos de insegurança alimentar grave.
Desigualdade estrutural e mercado de trabalho
Os dados mostram que 38,5% dos lares chefiados por mulheres negras sofrem com a falta de alimentos, seguidos por homens negros (28,9%) e mulheres brancas (22,2%). O estudo destaca uma distorção alarmante: a frequência da fome em lares de mulheres negras com trabalho formal é equivalente à de lares de homens brancos em situação de informalidade, evidenciando o peso do racismo estrutural.
Impacto das políticas públicas
Para Rute Costa, professora da UFRJ, a segurança alimentar é extremamente sensível a investimentos sociais. A retomada de órgãos como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e o fortalecimento do programa Bolsa Família em 2023 são vistos como passos essenciais para reverter esse quadro de vulnerabilidade que afeta quase metade das famílias negras no Norte e Nordeste.



