Memória e resistência negra
O livro “Sobre a vida delas”, da historiadora Silvana Santus, traz à luz a trajetória de crianças escravizadas no Espírito Santo durante o século 19. A obra foca em casos reais de meninas que, apesar da pouca idade, recorreram à Justiça para denunciar abusos. O lançamento ocorre no Museu Capixaba do Negro, em Vitória, acompanhado de uma exposição fotográfica histórica.
Invisibilidade e exploração
A pesquisa detalha como crianças eram comercializadas e forçadas ao trabalho pesado, vivendo uma “não infância” marcada pelo apagamento social. Santus analisa leis da época que prometiam liberdades limitadas e demonstra como o sistema escravista estruturou a desvalorização de corpos negros, tratando-os como mercadorias de menor valor em comparação aos adultos.
Conexão com o presente
A autora estabelece um paralelo necessário entre o passado colonial e tragédias contemporâneas, como o caso do menino Miguel no Recife. Para a historiadora, a negligência atual com crianças negras é um reflexo direto da herança escravista. O livro propõe um debate urgente sobre o papel do poder público no combate ao racismo estrutural dentro das escolas e na sociedade.



