Edição Brasília

Ataque dos EUA e Israel ao Irã provoca pânico e fuga em massa de civis

Ataques dos EUA e Israel contra o Irã geram pânico em Teerã. Moradores fogem de cidades e escolas são fechadas após início da Operação Fúria Épica.
Ataque dos EUA e Israel ao Irã provoca pânico e fuga em massa de civis

A manhã deste sábado (28) marcou o início de um novo e dramático capítulo nas tensões do Oriente Médio. Explosões coordenadas sacudiram a capital iraniana, Teerã, e diversas outras regiões do país, como resultado de uma ofensiva militar conjunta entre os Estados Unidos e Israel. Batizada pelo Pentágono como “Operação Fúria Épica”, a ação militar espalhou um clima de pânico generalizado entre a população civil, resultando em fugas em massa e o colapso imediato de serviços básicos.

Testemunhas relatam que colunas de fumaça podiam ser vistas subindo ao céu em Teerã logo nas primeiras horas do dia, coincidindo com o início da semana de trabalho no Irã. O impacto psicológico foi imediato: pais correram para escolas na tentativa de resgatar seus filhos, enquanto o governo anunciava o fechamento por tempo indeterminado de todas as instituições de ensino e universidades. O principal órgão de segurança do país emitiu um alerta incomum, sugerindo que os cidadãos deixassem as grandes cidades para buscar refúgio em áreas menos visadas pelos bombardeios.

Impacto na População e Crise Humanitária

O cenário nas ruas é de caos. Longas filas se formaram em postos de gasolina e agências bancárias, onde muitos iranianos tentavam sacar dinheiro sem sucesso, já que diversos caixas eletrônicos pararam de funcionar. Em cidades como Tabriz e Isfahan, o medo é palpável. “Estamos apavorados. Meus filhos estão tremendo e não temos para onde ir”, relatou Minou, uma moradora local, em entrevista à Reuters. A corrida por moedas estrangeiras também se intensificou, refletindo a desconfiança imediata na estabilidade econômica do país diante do conflito.

A fuga não se limita apenas aos centros urbanos. Relatos de cidades fronteiriças indicam que famílias inteiras estão tentando cruzar para países vizinhos, como a Turquia. Reza Saadati, um pai de família de 45 anos, descreveu sua tentativa de levar os parentes para Urumieh, na esperança de conseguir um voo para Istambul. O sentimento de incerteza é compartilhado por Mohammad Esmaili, de 63 anos, que deixou sua casa em Ilam pedindo orações pelo futuro de sua família.

Contexto Político e a Operação Fúria Épica

A decisão de Washington e Tel Aviv ocorre em um momento de extrema fragilidade diplomática. Apenas dois dias antes, na quinta-feira (26), uma rodada de negociações em Genebra sobre o programa nuclear iraniano terminou sem avanços significativos, apesar do otimismo inicial de mediadores omanitas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a operação visa eliminar uma ameaça direta à segurança americana e oferecer aos iranianos a oportunidade de uma mudança de regime. No entanto, a reação interna no Irã é dividida.

Enquanto alguns moradores, cansados do regime clerical estabelecido em 1979, veem os ataques como uma possibilidade de libertação, outros temem que o país siga o caminho do vizinho Iraque, mergulhando em anos de guerra civil e derramamento de sangue. “Não quero que meu Irã se transforme no Iraque”, afirmou Samira Mohebbi, expressando o temor de muitos de que a intervenção estrangeira traga consequências ainda mais devastadoras do que a atual repressão governamental.

As forças de segurança iranianas agiram rapidamente para proteger os centros de poder, bloqueando estradas que levam aos escritórios do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, e do presidente Masoud Pezeshkian. O mundo agora observa com apreensão os próximos desdobramentos desta escalada militar, que ameaça desestabilizar permanentemente uma das regiões mais voláteis do planeta.