Edição Brasília

IgesDF capacita profissionais para manejo de crises em saúde mental no HBDF

Confira como o IgesDF está capacitando profissionais no Hospital de Base para o manejo de crises em saúde mental com foco em acolhimento e no método A E I O U.
IgesDF capacita profissionais para manejo de crises em saúde mental no HBDF

A gestão de crises em saúde mental exige mais do que conhecimento técnico; demanda sensibilidade, rapidez e uma abordagem profundamente humanizada. Compreendendo que cada decisão tomada em um momento de urgência psicológica pode alterar drasticamente o prognóstico do paciente, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) realizou, nesta sexta-feira (20), um encontro estratégico voltado à qualificação de seus colaboradores e estudantes de saúde.

O evento, sediado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), foi uma iniciativa do Núcleo de Educação Permanente (Nudep). A atividade buscou não apenas atualizar protocolos, mas também fortalecer a coesão das equipes multidisciplinares que atuam na linha de frente. Através do aprimoramento da comunicação terapêutica, o instituto visa elevar o padrão do atendimento prestado à população do Distrito Federal, garantindo que o suporte emocional caminhe lado a lado com a intervenção clínica.

O Método A E I O U na Prática Clínica

Um dos grandes destaques da capacitação foi a apresentação e o detalhamento do método “A E I O U”. Esta sigla mnemônica serve como um guia prático para orientar os profissionais desde o primeiro contato com o indivíduo em sofrimento psíquico. O método é dividido em cinco pilares fundamentais: Acolhimento, Escuta ativa, Identificação de fatores, Orientações e Ultimar.

No Acolhimento, o foco reside na criação de um ambiente seguro e na recepção empática. A Escuta ativa permite que o profissional compreenda a dor do paciente sem julgamentos precoces. Já a Identificação de fatores busca entender os gatilhos da crise e os riscos envolvidos, como a possibilidade de autoextermínio ou violência. As Orientações referem-se ao direcionamento claro sobre o tratamento, enquanto o Ultimar foca no desfecho da intervenção e no encaminhamento adequado dentro da rede de cuidado.

Desafios, Estigma e a Reinserção na Sociedade

Além das técnicas de intervenção imediata, o encontro promoveu um debate profundo sobre as barreiras que ainda dificultam o tratamento psiquiátrico moderno. O preconceito e o estigma social foram apontados como obstáculos significativos que impedem muitos pacientes de buscarem ajuda precocemente. Os palestrantes enfatizaram que a humanização do atendimento é a ferramenta mais poderosa para combater essas visões distorcidas.

A visão do IgesDF vai além da estabilização do quadro agudo. Durante as discussões, reforçou-se a necessidade de preparar o paciente para o pós-crise. O objetivo final de qualquer intervenção em saúde mental deve ser a reinserção social e a autonomia. É fundamental que o indivíduo seja preparado para retomar sua vida em comunidade, contando com uma rede de apoio sólida e integrada. Segundo os especialistas presentes, o cuidado clínico é apenas uma parte do processo; a verdadeira cura envolve o resgate da cidadania e do convívio social.

Com essa iniciativa, o Hospital de Base reafirma seu papel como centro de excelência e ensino, investindo na educação continuada para transformar a realidade da saúde mental pública. A expectativa é que o fortalecimento dessas competências resulte em um atendimento mais ágil, seguro e, acima de tudo, respeitoso às particularidades de cada paciente.