O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do Distrito Federal vive um momento de reestruturação e eficiência operacional. Atualmente, a rede de saúde da capital federal conta com uma frota de 289 ambulâncias, distribuídas estrategicamente entre as sete regiões de saúde, unidades de referência e a base do próprio Samu. Esse aparato é fundamental para garantir que o tempo de resposta em situações de emergência seja o menor possível, fator determinante para salvar vidas e reduzir sequelas em pacientes críticos.
Especificamente no Samu-DF, a estrutura operacional dispõe de 38 ambulâncias de prontidão, sendo 31 Unidades de Suporte Básico (USBs) e sete Unidades de Suporte Avançado (USAs), que funcionam como UTIs móveis. O serviço é complementado por equipes de motolâncias e pelo suporte aeromédico, realizado por meio de um helicóptero em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Em termos de produtividade, os números impressionam: somente em 2023, foram realizados 88.957 atendimentos, mantendo uma média superior a 80 mil ocorrências anuais nos anos subsequentes.
Educação e a Queda nos Pedidos de Socorro Falsos
Um dos avanços mais significativos celebrados pela Secretaria de Saúde (SES-DF) é a redução acentuada nos registros de trotes. Em 2023, o serviço contabilizou 16.075 chamadas falsas, número que despencou para 4.543 em 2025. Essa queda de mais de 70% é atribuída diretamente ao trabalho pedagógico e de conscientização realizado junto à comunidade. Segundo Lorhana Morais, diretora do Samu-DF, a educação é o pilar que sustenta esses resultados positivos, pois cada trote representa uma ambulância a menos disponível para quem realmente precisa.
O projeto “Samuzinho” destaca-se como a principal iniciativa educativa, levando treinamento de primeiros socorros para estudantes de escolas públicas e privadas. O objetivo é transformar crianças e adolescentes em multiplicadores de conhecimento. A lógica é simples e eficaz: quanto mais pessoas souberem identificar uma emergência real e souberem como agir até a chegada do socorro especializado, maiores são as chances de sobrevivência da vítima. Estima-se que cada minuto de massagem cardiopulmonar bem executada aumente em 10% as chances de vida do paciente.
Capacitação em Saúde Mental e Atendimento ao TEA
O Samu-DF também tem se destacado pelo pioneirismo no atendimento a ocorrências de saúde mental e suporte a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nos últimos anos, as equipes passaram por treinamentos específicos para lidar com crises psiquiátricas e intervenções em situações de urgência emocional. Essa abordagem humanizada e técnica é aplicada tanto na central de regulação, onde o primeiro contato é feito por telefone, quanto pelas equipes que vão a campo.
A gestão reforça que o Samu não atua apenas em traumas físicos, mas é um suporte avançado para qualquer urgência que ameace a integridade do cidadão. Essa visão integrada permite que o serviço atue com excelência tanto em grandes eventos quanto no cotidiano das regiões administrativas, consolidando-se como uma referência nacional em atendimento pré-hospitalar.
Investimento em Logística e Renovação da Frota
Para manter a engrenagem funcionando, o Governo do Distrito Federal (GDF) investiu mais de R$ 28 milhões na aquisição de novos veículos. Entre 2023 e 2024, 74 novas viaturas foram incorporadas à frota, e o planejamento para novas compras já está em andamento. Além das ambulâncias de atendimento direto, a SES-DF renovou sua infraestrutura logística com 50 novos veículos, incluindo caminhões e furgões destinados à distribuição de medicamentos e ações de vacinação.
No que tange ao transporte de pacientes críticos entre hospitais, a Central de Regulação de Transporte Sanitário utiliza um contrato especializado que garante ambulâncias de suporte avançado com médicos e enfermeiros exclusivos para transferências. Essas medidas, somadas à implantação de sistemas informatizados de monitoramento e novos protocolos assistenciais, visam otimizar a liberação de leitos e reduzir drasticamente o tempo de espera da população por transferências hospitalares.



