Enquanto milhares de foliões se preparam para ocupar as ruas da Esplanada dos Ministérios em busca de diversão, centenas de trabalhadores veem no Carnaval uma oportunidade estratégica para reforçar o orçamento doméstico. É o caso de Samara Paixão, que planeja comercializar bebidas e alimentos durante todos os dias de festa. Para garantir que sua atividade ocorra dentro das normas legais e sem riscos aos consumidores, ela integrou o grupo de mais de 150 ambulantes que participaram, nesta sexta-feira (13), de uma capacitação promovida pela Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde (SES-DF).
O encontro, realizado na sede do Detran DF, teve como foco principal a orientação preventiva. Para Samara, a iniciativa é fundamental para quem busca profissionalismo no comércio de rua. “É um dinheirinho extra que a gente está tentando arrecadar, e eu acho muito positivo que o governo esteja orientando as pessoas sobre como trabalhar da forma correta”, destacou a vendedora, que pretende focar na venda de cerveja e churrasquinho.
Diretrizes para a Segurança Alimentar no Carnaval
Durante as reuniões, os técnicos da Vigilância Sanitária utilizaram recursos visuais, como fotos e exemplos práticos de situações reais, para ilustrar as boas práticas exigidas. Entre os pontos cruciais abordados, destacam-se a proibição de manter caixas de isopor diretamente no chão e a necessidade imperativa de separar rigorosamente os alimentos dos produtos de limpeza. A procedência do gelo também foi um tema central: ele deve ser fabricado obrigatoriamente com água potável para evitar contaminações que podem causar surtos alimentares.
Dillian Silva, gerente de alimentos da Diretoria de Vigilância Sanitária da SES-DF, enfatizou que o objetivo não é meramente punitivo, mas educativo. Segundo ela, a explicação clara ajuda o ambulante a entender exatamente o que será cobrado no momento da fiscalização de campo. “Estamos realizando uma ação de prevenção de riscos à saúde. Nossa prioridade é o trabalho preventivo; é muito melhor orientar agora do que precisar aplicar medidas administrativas severas, como a interdição da banca ou a apreensão de mercadorias, durante a festa”, explicou a gestora.
Monitoramento de Eventos e Estrutura de Apoio
O planejamento da Secretaria de Saúde para o mês de fevereiro é robusto e abrangente. A expectativa é que a Diretoria de Vigilância Sanitária fiscalize mais de 170 eventos, cobrindo desde o pré-Carnaval até o encerramento oficial das festividades. O trabalho dos auditores, no entanto, vai muito além da venda de comidas e bebidas. A equipe técnica também é responsável por verificar minuciosamente a infraestrutura de postos médicos e a disponibilidade de ambulâncias, garantindo que as rotas de fuga para serviços de urgência e emergência estejam totalmente desobstruídas.
Outro ponto de atenção rigorosa será a quantidade e a higiene dos banheiros químicos, que devem ser instalados em proporção adequada ao número estimado de foliões em cada bloco. A fiscalização também terá tolerância zero para produtos de comercialização proibida ou irregular. Isso inclui a venda de dispositivos eletrônicos para fumar (vapes), bebidas alcoólicas falsificadas, alteradas ou sem rótulos que comprovem sua origem e procedência. O foco absoluto é preservar a integridade física da população, assegurando que a alegria do Carnaval brasiliense não seja interrompida por problemas de saúde pública que poderiam ser evitados com responsabilidade e fiscalização eficiente.



