A maioridade é um marco, e para João Athos Almeida, seu aniversário de 18 anos se tornou uma memória inesquecível. A celebração, que aconteceu na última segunda-feira (2), teve um cenário incomum, mas repleto de significado: a Unidade de Internação Oncológica do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no Distrito Federal.
O motivo da festa ser realizada dentro da unidade hospitalar era nobre: garantir a presença da convidada mais importante, sua mãe, Lana Marnie de Lima, de 41 anos. Lana está internada na enfermaria oncológica do HRT desde 12 de janeiro, recebendo tratamento paliativo para câncer de estômago. Incapaz de deixar o hospital, a equipe multiprofissional do HRT resolveu fazer o caminho inverso: levar a festa até ela.
“Ter a festa em um local em que você não espera uma surpresa como essa, junto das pessoas que você ama, é tão perfeito, tão maravilhoso”, comemorou João Athos, visivelmente emocionado pela reunião inesperada de familiares e amigos. A ação, que resultou em bolo, doces, suco e muita alegria, foi fruto de vários dias de preparação e coordenação entre a família e os profissionais de saúde.
A Força da Humanização no Cuidado Integral
A iniciativa transcende a simples organização de um evento; ela reflete a filosofia de humanização adotada pelo HRT. Durante os atendimentos da assistência psicossocial, Lana Marnie havia compartilhado com a equipe o imenso amor que sente pela família e a proximidade do aniversário do filho mais velho.
Stephanie Lisboa, chefe da Unidade de Internação Oncológica do HRT, enfatiza que o cuidado vai além das intervenções médicas específicas. “Dentro da nossa unidade, trabalhamos esse cuidado integral com o paciente e com a família. Durante os momentos mais delicados, nosso foco não é apenas uma intervenção feita no leito”, explica. “Nossa intenção, como parte de uma rotina de humanização, é proporcionar maior conforto e qualidade de vida aos pacientes, respeitando seus laços afetivos.”
Para Lana, a experiência foi profundamente positiva. “Eu estou muito feliz em poder compartilhar esse momento com toda a minha família. É uma experiência muito boa”, declarou a paciente, que pôde celebrar a maioridade do filho sem precisar sair do ambiente de tratamento.
O Papel Essencial dos Cuidados Paliativos
O caso de Lana Marnie ilustra a importância do atendimento em cuidados paliativos, um serviço oferecido amplamente nas unidades hospitalares da rede pública de saúde do Distrito Federal. Este tipo de assistência é fundamentalmente multiprofissional, envolvendo uma vasta gama de especialistas: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, nutricionistas e farmacêuticos.
O objetivo principal dos cuidados paliativos não é curar a doença, mas sim promover a melhor qualidade de vida possível para os pacientes e seus familiares, considerando seus valores, desejos e biografia pessoal. O procedimento adotado é sempre individualizado, garantindo que as condutas terapêuticas sejam adequadas à proporcionalidade terapêutica e à necessidade específica de cada paciente e de sua rede de apoio.
Ao levar a festa de 18 anos para dentro do HRT, a equipe demonstrou como o respeito à dignidade e aos laços familiares se integra diretamente ao plano de tratamento. A alegria e o conforto emocional proporcionados por essa surpresa reforçam que, mesmo em momentos de vulnerabilidade, o suporte humano e a celebração da vida continuam sendo prioridades essenciais na jornada de saúde.
A história de João e Lana serve como um poderoso lembrete de que a saúde pública no DF está comprometida não apenas com a excelência clínica, mas também com a humanidade inerente ao processo de cuidado.



