A Corregedoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) deu um passo significativo em sua transformação digital ao promover uma capacitação essencial sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) aplicada diretamente às atividades correcionais. A formação, realizada no Espaço Neusa França, no Shopping ID, integra a agenda permanente de qualificação da unidade, preparando o corpo técnico para os desafios da administração pública moderna.
Intitulado “Uso da inteligência artificial aplicada ao trabalho da Corregedoria”, o curso ocorreu na última segunda-feira (2) e foi ministrado por Tiago Rabelo, servidor da Escola de Formação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). O foco principal da formação foi apresentar conceitos fundamentais, explorar as vastas possibilidades e, crucialmente, definir os limites da IA dentro do serviço público.
O objetivo estratégico da SEEDF é claro: aprimorar os processos de trabalho, dar suporte à tomada de decisões complexas e fortalecer a eficiência administrativa. Todos esses avanços devem ocorrer em estrita consonância com os princípios basilares da legalidade, ética e transparência, garantindo que a tecnologia sirva ao interesse público de forma responsável.
IA como Resposta à Alta Demanda e Necessidade de Institucionalização
A iniciativa da capacitação responde a uma realidade de trabalho sob alta pressão. Ana Paula Gadelha Marques Meira, chefe da Corregedoria da SEEDF, destacou a elevada carga de trabalho da unidade. “Nós trabalhamos com elevado número de denúncias e processos. Hoje, a Corregedoria conta com mais de 6 mil procedimentos de investigação em curso, entre denúncias, investigações preliminares e processos administrativos, de diversas naturezas”, afirmou a gestora.
Segundo Ana Paula, a Inteligência Artificial já se mostra uma ferramenta valiosa, sendo utilizada como apoio na elaboração de documentos, relatórios e notas técnicas. No entanto, o uso precisava ser formalizado. “Os servidores buscavam uma formação que ajudasse a otimizar o trabalho, porque nossa atividade é altamente técnica e envolve sigilo. Não poderíamos utilizar a IA de qualquer maneira, por isso era necessário institucionalizar esse uso”, explicou. Para atender aos rigorosos requisitos de segurança e conformidade exigidos pelo setor público, a plataforma Microsoft Copilot foi adotada como solução oficial.
O Desafio da Agilidade com Equipe Reduzida
A gerente de Procedimentos de Investigação Preliminar (Gepip), Elizabete Fátima Alves, ressaltou os desafios operacionais enfrentados pela Corregedoria. “Temos uma demanda muito alta de processos e denúncias que chegam de diversos órgãos de controle, e um quantitativo reduzido de servidores. A ideia é trazer a inteligência artificial a nosso favor para ganhar agilidade e conseguir resolver mais processos em menos tempo”, declarou.
A adesão à capacitação demonstrou o interesse e a necessidade da equipe: 41 dos 50 servidores da Corregedoria participaram do treinamento. A ação foi viabilizada graças a uma parceria estratégica com o TJDFT, intermediada por uma servidora que atua nas duas instituições, facilitando a transferência de conhecimento especializado.
Tecnologia como Suporte, Não Substituição
Tiago Rabelo, especialista em direito digital e com certificações em engenharia de prompts, utiliza a inteligência artificial há três anos. Durante a formação, ele reforçou um ponto crucial: a tecnologia deve ser compreendida como instrumento de suporte, e não de substituição do trabalho humano. “A inteligência artificial não substitui o ser humano no processo decisório. Ela atua como ferramenta de apoio na organização, no desenvolvimento e na análise de dados. Esse é o papel mais adequado neste momento de transformação digital”, esclareceu o instrutor.
Além das funcionalidades práticas da IA, o curso abordou temas essenciais para a governança digital, como responsabilidade, segurança da informação e ética. Essa abordagem reforça a importância de um uso consciente e institucional da tecnologia, garantindo que a inovação na administração pública seja segura, transparente e focada na melhoria contínua dos serviços prestados à população do Distrito Federal.



