Edição Brasília

DF amplia Teste do Pezinho para 62 doenças e eegistra aumento recorde de exames

O Teste do Pezinho no DF agora rastreia 62 doenças, colocando a capital entre as líderes nacionais. Saiba como a ampliação e a adesão da rede privada impulsionaram o diagnóstico precoce em 2025.
DF amplia Teste do Pezinho para 62 doenças e eegistra aumento recorde de exames

O Distrito Federal consolidou sua posição de liderança nacional em saúde neonatal ao registrar um aumento significativo no número de recém-nascidos atendidos pela triagem neonatal em 2025. Foram realizados 39.891 Testes do Pezinho no ano passado, um crescimento de mais de três mil exames em comparação com os 36.858 registrados em 2024.

Este salto é resultado de dois fatores cruciais: a ampliação do rol de doenças rastreadas, que agora inclui cerca de 62 condições, e a crescente adesão da rede privada ao serviço público. O DF se encontra atualmente na etapa 5 da legislação federal (Lei Federal nº 14.154), colocando-o entre as unidades da Federação com maior abrangência na triagem neonatal.

A vice-governadora Celina Leão destacou que o crescimento reflete um trabalho contínuo para garantir saúde de qualidade. “Ainda como deputada distrital, apresentei o projeto que amplia o Teste do Pezinho, por meio do PL nº 1.994/2018, que hoje é uma realidade na proteção das nossas crianças”, lembrou. Segundo Leão, essa ampliação coloca a tecnologia a serviço da vida, permitindo prevenção, tratamento adequado e, acima de tudo, dignidade para as famílias. “O diagnóstico precoce é o maior aliado que uma família pode ter, e a nossa missão é garantir que todo recém-nascido seja atendido”, afirmou.

Por Que a Rede Privada Busca o Serviço Público?

A maior adesão de hospitais e maternidades privadas ao serviço público de triagem neonatal é o principal motor do crescimento recente. O médico Lourenço Evangelista, assessor técnico do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, explica que o serviço público oferece um rol de exames mais completo do que o disponível na maioria dos planos de saúde ou laboratórios privados.

“Antes, muitos recém-nascidos da rede privada não faziam o teste conosco. Hoje, eles procuram as UBSs [Unidades Básicas de Saúde] para coletar, porque aqui o Teste do Pezinho oferece mais exames”, explica Evangelista. O número de coletas nas UBSs, que majoritariamente atende bebês da rede privada, saltou de pouco mais de 3 mil para mais de 5 mil, evidenciando a confiança e a qualidade do programa público.

Desde 2023, o DF incorporou condições complexas como os defeitos primários da imunidade, doenças lisossômicas de depósito e a atrofia muscular espinhal (AME). A inclusão da AME, uma condição neuromuscular grave, já resultou em 14 casos diagnosticados precocemente. “O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes mesmo do surgimento dos sintomas”, reforça o médico, destacando que o princípio da triagem é rastrear doenças tratáveis para que o diagnóstico traga benefícios reais.

O Impacto do Diagnóstico Precoce: O Caso Anny Kimberly

A importância do rastreamento rápido se materializa na história da bebê Anny Kimberly Alves, de um ano. Moradora do entorno do DF, Anny foi diagnosticada com atrofia medular espinhal apenas sete dias após o parto, graças ao Teste do Pezinho. Sua mãe, Yasmin Alves, recebeu o resultado com alívio e preocupação, mas pôde agir imediatamente.

Embora a AME não tenha cura, o tratamento precoce melhora drasticamente a qualidade de vida e retarda a progressão da doença. Anny faz acompanhamento contínuo no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, recebendo fisioterapia, fonoaudiologia, acompanhamento nutricional e outras terapias. “Esse acompanhamento é bom e importante porque facilita o desenvolvimento da minha filha”, afirma Yasmin.

Logística e Qualidade do Programa de Triagem Neonatal

O Programa de Triagem Neonatal (PSN) do DF possui uma logística rigorosa. As amostras são encaminhadas por hospitais, maternidades e UBSs. Na rede privada, os pais geralmente realizam a coleta nas UBSs após a alta, de onde o material é enviado para análise. Em média, o serviço recebe cerca de 4 mil cartões de amostras por mês.

A primeira amostra idealmente ocorre entre 24 e 48 horas após o nascimento. O sistema utiliza um código único para cada criança e cartões coloridos para indicar a urgência da coleta: cinza para a primeira coleta, azul para a recoleta e laranja para suspeita de alteração, exigindo urgência.

A bióloga Gabriella Vasconcelos explica que a triagem neonatal é um programa que se preocupa com todo o processo, desde a capacitação das equipes e a qualidade da coleta, até o transporte refrigerado das amostras. Em casos de suspeita, a equipe entra em contato imediato com a família para garantir que a criança seja levada ao serviço o mais rápido possível, minimizando o intervalo entre a coleta e o início do tratamento.

“Crianças que, sem diagnóstico, poderiam não sobreviver ou depender de suporte respiratório e alimentar passam a andar de bicicleta, correr, brincar e ter uma vida próxima do normal”, conclui Vasconcelos, reforçando o poder transformador do diagnóstico precoce.