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Vigilância Ambiental Alerta: Riscos de poeira e zoonoses na implosão do Torre Palace

SES-DF emite nota técnica urgente sobre os riscos biológicos da poeira na implosão do Torre Palace. Saiba como se proteger contra histoplasmose e criptococose.
Vigilância Ambiental Alerta: Riscos de poeira e zoonoses na implosão do Torre Palace

Brasília se prepara para um evento de grande porte neste domingo (25): a implosão controlada do antigo edifício Torre Palace Hotel, localizado no Setor Hoteleiro Norte. Programada para as 10h30, a megaoperação, que se estenderá das 6h às 18h, gerará uma intensa e inevitável nuvem de poeira. Diante deste cenário, a Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses (Gvaz), vinculada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), emitiu uma nota técnica urgente detalhando os riscos de exposição a agentes biológicos e estabelecendo rigorosas recomendações de saúde pública.

A principal preocupação das autoridades sanitárias reside na inalação de aerossóis — partículas finíssimas suspensas no ar — que podem estar contaminadas. O risco é potencializado pela presença de excrementos de pombos e morcegos acumulados na estrutura do antigo hotel, que serão dispersos no momento do colapso. A nota técnica possui caráter estritamente preventivo, visando proteger a saúde respiratória da população.

Os Riscos Biológicos da Poeira Contaminada

A poeira proveniente da demolição de estruturas antigas, especialmente aquelas que serviram de abrigo para fauna urbana, é um vetor teórico para diversas zoonoses fúngicas. A Gvaz destaca duas doenças que merecem atenção preventiva: a Histoplasmose e a Criptococose, ambas transmitidas pela inalação de esporos.

A Histoplasmose é causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, um microrganismo ambiental que prospera em solos e estruturas ricas em matéria orgânica de origem animal, como fezes de morcegos e aves. A inalação dos esporos deste fungo pode levar a infecções pulmonares, que são particularmente graves em indivíduos com sistemas imunológicos comprometidos. A exposição a este agente é a maior preocupação associada ao sítio da demolição.

Já a Criptococose, causada pelo Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii, está frequentemente associada a excretas de pombos. Embora a contaminação possa ser assintomática em pessoas saudáveis, ela representa um perigo significativo para grupos vulneráveis, podendo evoluir para meningite criptocócica, uma condição grave e potencialmente fatal. A inalação de aerossóis é o principal mecanismo de exposição a esses microrganismos.

A nota técnica da SES-DF enfatiza que, embora o risco seja teórico, as medidas de prevenção são cruciais para proteger a saúde da população que reside ou trabalha nas imediações do Setor Hoteleiro Norte, minimizando a chance de inalação dessas partículas.

Medidas Urgentes de Saúde Pública e Proteção

As recomendações de saúde pública são direcionadas tanto à população em geral quanto a grupos específicos considerados de alto risco. A Vigilância Ambiental orienta que todos evitem permanecer nas proximidades do local da implosão, especialmente durante o momento exato do colapso (10h30) e nas horas imediatamente subsequentes, quando a concentração de poeira será máxima.

Para aqueles que, por qualquer motivo, precisarem estar nas imediações, o uso de equipamentos de proteção respiratória é obrigatório. A Gvaz recomenda especificamente o uso de máscaras PFF2/N95, que oferecem a maior eficiência na retenção de partículas finas e aerossóis contaminados, superando a proteção oferecida por máscaras cirúrgicas comuns. Aos comércios, repartições e residências próximas ao local, a recomendação é manter portas e janelas rigorosamente fechadas.

A orientação é evitar completamente atividades ao ar livre na região afetada por um período estendido, variando de 24 a 72 horas após a implosão, dependendo da dispersão da nuvem de poeira e da qualidade do ar local.

Os grupos considerados vulneráveis — incluindo pessoas imunossuprimidas, idosos, gestantes, crianças, transplantados e pacientes em uso de terapias imunossupressoras ou vivendo com HIV — devem seguir a recomendação mais estrita: evitar completamente qualquer tipo de exposição à poeira gerada pela demolição. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal reforça que a prevenção é a única forma eficaz de mitigar os riscos associados a este tipo de megaoperação urbana e garantir a segurança sanitária da comunidade.