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DF registra queda histórica de 96% nos casos prováveis de dengue em 2025

O DF alcançou uma redução recorde de 96% nos casos prováveis de dengue em 2025. Entenda as estratégias da SES-DF, o uso de drones e a tecnologia Wolbachia que frearam a doença.
DF registra queda histórica de 96% nos casos prováveis de dengue em 2025

O Distrito Federal (DF) alcançou um marco significativo no combate à dengue, fechando o ano epidemiológico de 2025 com uma redução impressionante de 96% nos casos prováveis da doença. Os dados foram consolidados no boletim epidemiológico mensal nº 52, divulgado pela Secretaria de Saúde (SES-DF), e refletem o sucesso das ações contínuas de prevenção e vigilância.

Ao longo de 2025, a SES-DF registrou 24.759 notificações suspeitas de dengue em todo o território. Desse total, 11.875 casos foram classificados como prováveis, sendo que 11.108 ocorreram especificamente entre moradores do DF. Este número contrasta drasticamente com o cenário vivido no ano anterior, 2024, que foi marcado por uma circulação viral atípica e intensa em diversas regiões do país.

Para colocar a redução em perspectiva, em 2024, o Distrito Federal havia registrado 278.019 casos prováveis entre seus residentes. A diferença de mais de 266 mil casos evidencia um quadro epidemiológico muito mais controlado e uniforme em 2025, com a redução sendo observada em todas as regiões de saúde do DF.

Estratégia de Vigilância Contínua e Resposta Reforçada

A diretora da Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Maria Alves Siqueira Malta, destacou que o monitoramento contínuo dos indicadores de dengue pelas equipes técnicas foi crucial. “Isso nos permite identificar tanto o aumento dos atendimentos quanto a mudança na predominância dos sorotipos em circulação”, explicou.

Diante do histórico de alta circulação, a secretaria fortaleceu sua capacidade de resposta para a nova sazonalidade. As medidas incluíram a atualização do plano de contingência para dengue, chikungunya e zika, a melhoria da qualidade dos dados de notificação e a reformulação do informe epidemiológico semanal. Segundo Juliane Malta, essas ações conjuntas “ampliam a capacidade de resposta do sistema de saúde e contribuem para a prevenção de casos graves”.

O boletim de 2025 também forneceu dados importantes sobre o perfil das vítimas. A maior parte dos registros ocorreu entre adultos jovens, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos. Esta informação demográfica é vital para direcionar campanhas de prevenção e orientação mais eficazes para o público-alvo.

Tecnologia e Visitas Domiciliares Freiam o Mosquito

Apesar do cenário positivo de redução, a Secretaria de Saúde manteve um ritmo intenso de trabalho de campo. Em 2025, 362 servidores da Vigilância Ambiental em Saúde visitaram mais de 1,8 milhão de residências, além de atuar em locais públicos e áreas de grande circulação.

As ações de controle e monitoramento do mosquito Aedes aegypti envolveram diversas estratégias inovadoras. Entre elas, destacam-se a aplicação da Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) em pontos estratégicos, a instalação de mais de 3,2 mil estações disseminadoras de larvicidas e o uso de 3,8 mil ovitrampas para acompanhar a presença do vetor.

A tecnologia também se tornou uma aliada fundamental. Drones foram utilizados no mapeamento de áreas prioritárias, permitindo a varredura de 22 regiões administrativas, com mais de 2,1 mil hectares analisados e a identificação de milhares de possíveis focos. Outra frente de combate foi a adoção dos mosquitos com a bactéria Wolbachia, uma estratégia que visa reduzir a transmissão das arboviroses ao longo do tempo.

A SES-DF, no entanto, reforça a necessidade de manutenção dos cuidados preventivos, especialmente com a chegada do verão. A dengue possui um comportamento sazonal, registrando maior incidência nos períodos mais quentes e chuvosos, quando as condições se tornam ideais para a proliferação do mosquito transmissor.