O cenário político no Paraguai sofreu uma mudança drástica nesta sexta-feira com a destituição do presidente Santiago Peña. O ex-mandatário foi colocado em prisão domiciliar pouco tempo após o Senado aprovar seu impeachment, decisão motivada por uma profunda crise financeira e política desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno, instituição com a qual Peña mantinha laços comerciais históricos.
Crise política e destituição
A votação no Senado ocorreu de forma célere, mesmo após o presidente ter apresentado sua renúncia na quinta-feira. Os parlamentares seguiram com o processo de destituição, fundamentando a medida em graves acusações, como conflito de interesses, manipulação da supervisão regulatória, desvio de fundos de previdência e participação em um esquema de encobrimento institucional envolvendo o banco central do país.
O colapso do banco Ueno gerou um efeito dominó que congelou o acesso de milhares de cidadãos a suas contas bancárias, provocando revolta popular. Manifestantes se reuniram em frente à residência de Peña em Assunção, onde um forte esquema de segurança foi montado pela polícia para conter possíveis distúrbios e garantir o cumprimento da ordem judicial de prisão domiciliar.
Transição de governo
Para evitar um vácuo de poder, o Congresso paraguaio empossou o ex-vice-presidente Pedro Alliana como o novo líder do país ainda nesta sexta-feira. A transição rápida busca estabilizar o mercado financeiro e as instituições públicas diante do escândalo bancário que abalou a confiança no governo anterior.
Enquanto o novo governo assume as rédeas da administração nacional, o Ministério Público paraguaio trabalha na definição das acusações formais que serão apresentadas contra Santiago Peña. O ex-presidente permanecerá sob custódia em sua residência enquanto as investigações sobre sua responsabilidade direta na falência do banco e nos desvios de recursos públicos avançam, mantendo o país em um estado de vigilância política e social intensa.







